Por 20 ou 30 milhões de euros. É igual. O Sporting receberá sempre a mesma quantia, caso venda Marcos Rojo por um, ou outro valor. Quem o diz é a Doyen Sports Investment Limited, fundo que detém 75% dos direitos económicos de Marcos Rojo. O argentino está “sob a alçada disciplinar do Sporting”, como garantiu Bruno de Carvalho, presidente dos leões que, na terça-feira, sublinhou que o clube “não não cede a chantagens, pressões, interesses de agentes e muito menos de fundos”.

Algo que a Doyen Sports não terá gostado de ouvir. O fundo, esta quarta-feira, emitiu um comunicado no qual considerou as declarações de Bruno de Carvalho “claramente deslocadas no contexto da relação” com o fundo — que, aliás, sublinha ter sido “fundamental” para que o defesa argentino “pudesse ser transferido”, em 2012, “para o Sporting”.

Isto porque, escreveu, a Doyen, além de pagar 75% do valor da transferência, até assumiu “as primeiras prestações antes de o Sporting ter que pagar os seus 25%”. O fundo, aliás, defende mesmo que realizou “outras operações” com o clube, “entre as quais um empréstimo ocasional para o clube poder fazer face às dificuldades de tesouraria que tinha no momento”.

Esta semana, recorde-se, chegou a ser noticiado que o Sporting rejeitou uma proposta de 20 milhões de euros do Manchester United, para a contratação de Marcos Rojo — alegadamente porque o clube pretende receber 6 milhões de euros com a venda. Ao deter 25% dos direitos económicos do internacional argentino, a venda teria de cifrar-se por um valor total de 24 milhões de euros. A cláusula de rescisão do defesa está fixada nos 30 milhões de euros.

Na terça-feira, Bruno de Carvalho dissera que o Sporting “não cede a interesses que desrespeitem o clube”. Os leões, “como qualquer outro clube que trabalha com a Doyen”, explicou o fundo, “não está obrigado a vender o jogador com o qual tem um acordo de partilha de direitos económicos, porque isso limitaria a independência do clube” — apesar de ressalvar que “não [seria] ilegal essa obrigação”.

18. É do conhecimento geral a “cruzada” travada por esta direcção contra os agentes e representantes de jogadores e também contras os fundos. Nós, Pini Zahavi, entre tantos outros, incluindo os maiores agentes internacionais, somos pelos vistos inimigos do clube! Não se percebe que benefício o Sporting poderá retirar ao hostilizar os fundos e os agentes não querendo cooperar nem ter relação com quem mais pode ajudar. Estranhamente algum(ns) agente(s) têm relações privilegiadas. Mas mais uma vez está claro que o Sporting pode e deve cooperar com quem entenda e que melhor sirva os interesses do clube e das pessoas que o representa” – um dos 20 pontos que a Doyen Sports dedica no seu comunicado ao assunto ‘Marcos Rojo’.

A Doyen Sports, aliás, chega mesma a referir que, “face às propostas existentes e aquilo que, por boa vontade”, oferece aos leões, o “cenário mais lucrativo, substancialmente mais, é que o Sporting decida manter o jogador nos seus quadros profissionais”. Apesar de não especificar uma data, o fundo alega também que “em reuniões e por escrito, ficou claro que o Sporting”, eventualmente, “venderia o jogador”.

No início do mesmo comunicado, a Doyen Sports sublinhou que, “pela primeira vez na história”, um fundo de investimento “vendeu os direitos económicos que estavam na sua posse diretamente a um clube inglês”. Ou seja, referia-se à venda de Eliaquim Mangala, do FC Porto, para o Manchester City, jogador do qual era proprietário de 33,33% do passe — precisamente a mesma percentagem que detinha dos direitos de Steven Defour, cuja transferência para o Anderlecht foi oficializada na quarta-feira.

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