Dezenas de rapazes e homens foram raptados no domingo de uma vila no nordeste da Nigéria por suspeitos de pertencerem ao grupo radical islâmico Boko Haram, escreve esta sexta-feira a Reuters. Algumas testemunhas que conseguiram escapar dizem ter visto os rebeldes, vestidos com fardas militares e uniformes de polícia, a forçar os homens para dentro de um camião, depois de terem incendiado várias casas.

“Não deixaram homens ou rapazes, apenas crianças muito pequenas, raparigas e mulheres”, disse uma dessas testemunhas, Halima Adamu, acrescentando que os rebeldes gritavam “Allah Akbar” (Deus é grande), ao mesmo tempo que iam disparando tiros. “Havia confusão em todo o lado. Começaram a pôr os nossos homens e rapazes dentro dos veículos e ameaçaram que quem desobedecesse levaria um tiro. Toda a gente estava assustada”. Nesse ataque terão morrido seis homens e outros cinco ficaram feridos.

O exército nigeriano não quis comentar esta notícia, escreve a Reuters. Segundo uma fonte dos serviços de segurança, os militares têm conhecimento da situação e estarão a investigar o caso.

Estes raptos acontecem quatro meses depois de o grupo Boko Haram ter raptado cerca de 276 raparigas cristãs e muçulmanas de uma escola em Chibok, no norte da Nigéria. O nome deste grupo significa, numa tradução literal, “a educação ocidental é pecado” e o seu objetivo é o de repor um califado islâmico da era medieval num país que é misto em termos religiosos. Os raptos têm fins específicos. Os rapazes são forçados a lutar junto dos rebeldes e as raparigas tornam-se escravas sexuais.