Três mortos e dois feridos graves resultaram este domingo do despiste de um carro em competição no Rali Sprint de Guimarães, confirmou à agência Lusa fonte do CDOS de Braga. As vítimas mortais são uma mulher de 48 anos, o filho, de 8 anos, e um adolescente de 13 anos, precisou a Câmara de Guimarães.

O acidente vai ser investigado pelo Ministério Público, adiantou no local a GNR, mas a organização da prova garante que estavam cumpridos todos os critérios de segurança.

Em declarações aos jornalistas no local, na Rampa da Penha, freguesia de Calvo, o responsável da sala de situação da GNR, capitão Adelino Silva, apontou ser “ainda prematuro” apontar culpas no acidente, que além de três mortos, provocou ainda dois feridos graves e três ligeiros.

“É prematuro tecer algum comentário de culpabilidade do que aconteceu” pelo que, adiantou, “tudo irá ser averiguado em sede de inquérito” e “todos os factos irão ser comunicados ao Ministério Público que, em sede disso, pedirá novas diligências processuais”, garantiu.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

As circunstâncias nas quais se deu o despiste não são ainda claras havendo mesmo informações contraditórias quanto ao local onde estavam as oito pessoas vítimas deste acidente.

O segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, Joaquim Oliveira, apontou que as vítimas estariam num talude quando foram colhidas, enquanto o diretor da prova relatou que estariam “na berma” da estrada, a caminho do local da prova.

Segundo o diretor da prova, Eduardo Crespo, o acidente deu-se quando o carro 46 se despistou “depois das células da tomada de tempos e embateu contra pessoas que iriam a passar para ver o rali”.

No entanto, o responsável no local dos bombeiros vimaranenses apontou que estariam num outro local: “Tanto quanto entendo estavam em cima de um talude”, afirmou.

Se o local era, ou não, seguro para estar é outra questão na qual há opiniões díspares: Eduardo Crespo afirmou que o local “não estava vedado mas as pessoas tinham informação que era perigoso estar ali”.

“Penso que estariam numa posição de segurança”, referiu Joaquim Oliveira.

Quanto à segurança e meios de apoio envolvidos na prova, bombeiros, GNR e organização concordam que “estavam reunidas todas as condições de segurança” exigidas para um evento desta natureza mas reconhecem ser difícil antever certo tipo de cenários.

“Todos os meios e situações foram equacionadas mas perante um cenário desta envergadura todo planeamento fica um pouco assim sem sustentação em virtude de nunca sabermos o que poderá acontecer”, explicou o responsável da GNR.

Segundo Joaquim Oliveira, “os primeiros socorros foram dados por uma enfermeira do público” mas os restantes meios não demoraram a chegar ao local já que “se encontravam mobilizados”.

O operacional dos bombeiros relatou ainda que duas vítimas já estavam mortas quando o socorro chegou mas que ainda foram realizadas manobras de suporte básico de vida “mas sem sucesso” à outra vítima mortal.

Na operação de socorro, disse, “estiveram envolvidas “sete viaturas de urgência e viaturas de desencarceramento”.

Segundo disse à Lusa um fonte junto da prova, os pilotos que corriam no rali estavam a prestar uma homenagem a um colega falecido num acidente numa prova anterior.

“Corriam com a fotografia do colega no vidro do carro”, disse.

Dois feridos graves no Hospital de Braga

Segundo o segundo comandante do CDOS de Braga, o alerta para o acidente no Rali Sprint de Guimarães, na zona da Lapinha, foi dado às 15:27.

Uma outra fonte no local relatou à agência Lusa que o carro em competição despistou-se na parte final do troço da Rampa da Penha, tendo entretanto o rali sido suspenso, num momento em que tinham apenas arrancado quatro veículos, ou seja, a prova estava apenas a começar.

Os dois feridos graves foram para o Hospital de Braga e, de acordo com fonte da instituição, trata-se de um homem de 40 anos em “estado crítico” e uma mulher de 18 em estado grave, ambos a realizar exames de diagnóstico.

O diretor do Rali Sprint de Guimarães disse desconhecer em que circunstância se deu o despiste do carro. Questionado sobre as condições de segurança do local, Eduardo Crespo disse que, “em princípio, tudo estava assegurado e bem sinalizado”, mas notou ainda não saber como se deu o acidente.

“Não faço ideia das circunstâncias, de um momento para outro despistou-se, mas não estava no local, não sei como aconteceu”, disse.

O diretor da corrida informou ainda que a prova estava a ser controlada por mais de 40 agentes de autoridade, além de outras 14 pessoas da organização e equipa de bombeiros.