Matthew Todd Miller, um turista californiano de 24 anos que em abril foi detido na Coreia do Norte, foi condenado este domingo a seis anos de trabalhos forçados por alegadamente ter cometido “atos hostis” ao regime coreano, disse o canal de televisão estatal, de acordo com a CNN. O dia da sentença tinha sido anunciado esta semana e cumpriu-se, com o Supremo Tribunal da Coreia do Norte a recusar ao jovem qualquer recurso, informou a Associated Press, uma das poucas agências noticiosas ocidentais que mantêm presença no país.

Depois de entrar na Coreia do Norte, a 10 de abril deste ano, Miller decidiu não continuar a viagem com a agência turística norte-americana responsável pela organização do passeio turístico. Em vez disso, o jovem californiano quis viajar com os guias norte-coreanos. Matthew Todd Miller terá rasgado o seu visto norte-americano e anunciado que “não era um turista”, explica o Los Angeles Times. Depois, de acordo com a agência noticiosa estatal da Coreia do Norte, gritou que procurava asilo no país, onde se tinha deslocado para procurar abrigo. Este domingo o tribunal que julgou Miller disse que este tencionava “experimentar a vida numa prisão para poder investigar a situação dos direitos humanos”, reporta a Associated Press.

No início do mês de setembro, Miller disse à CNN a partir de Pyongyang que antes de viajar para a Coreia do Norte “se tinha preparado para violar a lei”, admitindo ter “cometido deliberadamente o crime”. Mas perante as câmaras, o jovem não especificou que crime foi esse e também não explicou porque rasgou o visto. “A minha situação é muito urgente”, disse na altura ao jornalista que o entrevistou. “Em breve vou ser julgado e irei diretamente para a prisão. Penso que esta entrevista é a minha última hipótese de levar o Governo americano a ajudar-me”. Miller queixou-se de que Washington não estava a fazer o suficiente: “Escrevi uma carta ao meu Presidente, mas não tive resposta. Por esta razão, estou desiludido com o meu Governo”.

A cadeia televisiva CNN foi surpreendida durante uma visita governamental nos arredores de Pyongyang, tendo a equipa sido informada que teria um encontro com uma figura de alto nível do Governo norte-coreano. Depois de entrar numa carrinha que os levou até um local secreto, os jornalistas descobriram que iam entrevistar três americanos. Para além de Miller, a CNN encontrou-se com Kenneth Bae e Jeffrey Fowle. Bae está detido desde 2012 e cumpre neste momento uma pena de 14 anos “por atos hostis que tinham o objetivo de derrubar o Governo”. Trabalha oito horas por dia num campo de trabalho, mas diz que está a ser tratado “tão humanamente quanto possível”. Fowle foi detido em maio depois de ter deixado uma Bíblia numa das paragens da sua visita turística. Aguarda julgamento.

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De acordo com o Los Angeles Times, os Estados Unidos ofereceram-se para enviar um representante para discutir os casos dos três americanos, mas ainda não houve nenhum acordo relativamente a uma visita. Em 2009, o antigo presidente Bill Clinton viajou até Pyongyang para assegurar a libertação das jornalistas norte-americanas Euna Lee e Laura Ling, detidas enquanto filmavam um documentário na fronteira entre a China e a Coreia do Norte. Um ano depois, outro ex-presidente – Jimmy Carter – deslocou-se ao país para pressionar o regime a libertar o professor de inglês Aijalon Gomes, o que acabou por acontecer. Os dois antigos chefes de Estado viajaram na condição de cidadãos e não de enviados do Governo americano.