A possibilidade de um boicote ao Mundial 2018 na Rússia, devido à interferência do país na crise da Ucrânia, é descartada por alguns dos melhores treinadores do futebol mundial. Esta posição é conhecida depois de os 28 líderes dos países da União Europeia terem pedido no início do mês à Comissão Europeia novas sanções à Rússia, em resposta ao envio de tropas para a Ucrânia.

Uma fonte europeia revelou à agência AFP que a ideia de um boicote ao Mundial de futebol estaria “num documento de trabalho dos Estados membros”, que detalhava sanções económicas e um veto, a pensar não para já, mas para o futuro. A ideia foi abordada pelo selecionador espanhol de futebol, Vicente del Bosque, que, numa conferência em São Petersburgo, não se mostrou favorável à ausência das seleções no Mundial.

“A ideia de um boicote ao Mundial 2018 na Rússia nunca terá apoio por parte da família de treinadores no futebol. Tentamos unir as pessoas e não separá-las. Somos atletas, não fazemos política. Apoiaremos todos os que jogam futebol”, disse Del Bosque. Também o diretor técnico da Federação Francesa de Futebol, François Blaquart, disse à AFP não acreditar na possibilidade de um boicote.

Joachim Löw, que conduziu a Alemanha ao título do Mundial 2014 no Brasil, começou por dizer que não é sua intenção entrar no campo político e acrescentou que a “Rússia tem o desejo e a possibilidade de organizar um Mundial de grande nível”. Além dos planos que circulam para sanções económicas imediatas à Rússia, Moscovo pode também enfrentar a suspensão do Grande Prémio de Fórmula 1 e de outros eventos desportivos.

Sochi, recente palco dos Jogos Olímpicos de inverno, deverá receber a 12 de outubro uma das corridas do Mundial de Fórmula 1, um evento que o presidente russo, Vladimir Putin, pretende mostrar como exemplo de uma Rússia respeitada como anfitriã desportiva.