David Cameron já tinha anunciado, esta semana, na cimeira das Nações Unidas, que decorreu em Nova Iorque, que ia pedir o apoio do parlamento britânico para o Reino Unido juntar-se aos Estados Unidos da América e à França, nos bombardeamentos contra os jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Nesta sexta-feira, a grande maioria dos deputados disse sim à intervenção.
De acordo com muitos especialistas, esta decisão é muito significativa, dado que, em 2013, o parlamento britânico disse não à proposta de bombardear a Síria, depois das revelações sobre o uso de armas químicas. “Em termos militares, esta votação não tem qualquer significado, mas politicamente tem mais importância”, afirmou James Strong, um especialista em relações internacionais da Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres, em declarações ao New York Times. “Existe um certo sentimento nos EUA que se mesmo o Reino Unido pensa que é uma má ideia, então provavelmente é.”
Holanda, Dinamarca e Bélgica anunciaram, também nesta sexta-feira, ir fazer parte dos bombardeamentos.
“Nós queremos ver um Iraque estável – e com o tempo – uma Síria estável também; o Estado Islâmico do Iraque e do Levante degradado e depois destruído”, afirmou David Cameron, no parlamento. “Mas deixem-me ser franco: não esperamos que isto aconteça rapidamente. As bandeiras desta campanha vão ser a paciência e persistência.”
O primeiro-ministro britânico continua proibido de enviar tropas para o terreno no Iraque ou fazer qualquer ação na Síria, depois desta votação.
Necessária força rebelde na Síria de 12 mil a 15 mil para vencer Estado Islâmico
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas norte-americanas defendeu, na sexta-feira, que só uma força rebelde síria com 12 mil a 15 mil homens derrotará os combatentes do Estado Islâmico no leste da Síria, o triplo daqueles que Washington vai treinar.
Ao apresentar esta estimativa, o general Martin Dempsey indicou que a formação de uma força rebelde viável no terreno será uma parte vital da expulsão do grupo Estado Islâmico de território sírio, mas avisou que tal vai exigir tempo e paciência.
“Fizemos cálculos e algures entre 12 mil e 15 mil é o que consideramos que será necessário para que eles retomem o território perdido no leste da Síria”, disse Dempsey numa conferência de imprensa no Pentágono. O mesmo responsável acrescentou que nunca se pretendeu que o atual plano, que prevê que os instrutores norte-americanos treinem e armem 5.000 recrutas, representasse o número total de efetivos a integrar as forças rebeldes “moderadas”. “Cinco mil nunca foi o número final”, afirmou.
Foi a primeira vez que Washington avançou um número relativo a quão grande deveria ser uma força rebelde para expulsar os extremistas do Estado Islâmico do país. O general disse que, para derrotar o grupo EI, seria necessário mais do que força aérea e que uma “componente terrestre” era um aspeto importante da operação liderada pelos Estados Unidos.
“Pensamos que o caminho para desenvolver isso é a oposição síria moderada”, sustentou, mostrando-se confiante de que os esforços de treino serão bem-sucedidos, mas pediu paciência. “Temos de fazer isto bem, não depressa”, observou. O Congresso norte-americano aprovou na semana passada um plano do Presidente, Barack Obama, para treinar e equipar até cinco mil tropas rebeldes “moderadas”, e a Arábia Saudita ofereceu-se para acolher no seu território esse treino.