Os três candidatos finalistas ao Prémio Sakharov são anunciados esta terça-feira em Bruxelas. O vencedor será anunciado no próximo dia 16, numa escolha dos líderes dos grupos políticos presentes no Parlamento Europeu (PE) e pelo presidente desta instituição.

O movimento ativista ucraniano Euromaidan e o ginecologista congolês Denis Mukwege integram a lista de nomeados para o Prémio Sakharov, que é entregue a 26 de novembro pelo PE.

O ginecologista Denis Mukwege é especializado no tratamento de vítimas de violações na República Democrática do Congo, cuidando todos os anos de milhares de raparigas e mulheres violadas, usadas como arma de guerra por diferentes grupos armados. O médico, que foi alvo de uma tentativa de homicídio em outubro de 2012, fundou um hospital para cuidar das mulheres vítimas de violação e o seu nome foi já várias vezes avançado nas “nomeações” para o Nobel da Paz. Foi nomeado para o Prémio Sakharov pelos grupos parlamentares S&D (socialistas) e ALDE (liberais).

Também o Euromaidan (como é conhecido o movimento de contestação lançado na Praça da Independência em Kiev, em novembro de 2013, que derrubou o então Presidente ucraniano Viktor Yanukovich) é candidato ao galardão que premeia a liberdade de pensamento, por nomeação de 53 parlamentares europeus. O movimento é representado na candidatura pelo jornalista Mustafa Nayem, a vencedora do festival da Eurovisão Ruslana Lyzhychko, a ativista Yelyzaveta Schepetylnykova e a jornalista Tetiana Chornovol.

A ativista americana nascida na Somália Ayaan Hirsi Ali, defensora dos direitos das mulheres nas sociedades islâmicas e conhecida pela sua oposição à mutilação genital feminina, foi nomeada pelo grupo parlamentar EFDD (eurocéticos).

Os Verdes nomearam a ativista dos humanos do Azerbaijão Leyla Yunus.

Mahmoud Al Asali, professor de Direito da Universidade de Mossul que defendeu os direitos da minoria cristã no Iraque e que foi assassinado em julho e Louis Raphael Sako, nascido no Iraque e Patriarca da Igreja Católica Caldeia foram nomeados pela defesa da liberdade religiosa no país pelo grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus e outros 67 eurodeputados.

No mesmo âmbito, integram também a lista de nomeados as organizações para a proteção das minorias cristãs CHREDO, Open Doors, Oeuvre d’Orient e Aid to the Church in Need, nomeadas por 61 deputados europeus.

A Primavera Árabe volta ao rol dos nomeados através dos ‘rappers’ Mouad Belghouate (também conhecido como El Haqed) de Marrocos e Ala Yaacoubi (conhecido com Weld El) da Tunísia, nomeados pelo grupo da Esquerda Unida no Parlamento Europeu (GUE/NGL).

A cerimónia de entrega do galardão – no valor de 50 mil euros – realiza-se no dia 26 de novembro, em Estrasburgo.

O Prémio Sakharov para a liberdade de pensamento foi atribuído em 2013 à jovem paquistanesa Malala Yousafzai, baleada por radicais por defender o direito das raparigas à educação.

Nelson Mandela e o dissidente soviético Anatoly Marchenko (a título póstumo) foram os primeiros galardoados, em 1988.

Em 1999, o prémio Sakharov foi entregue a Xanana Gusmão (Timor-Leste) e, em 2001, ao bispo Zacarias Kamwenho (Angola).