Os curdos conseguiram recuperar uma colina chave na cidade de Kobane, o que pode dar novo fôlego ao combate contra o Estado Islâmico (EI). De acordo com a BBC, os avanços foram possíveis após uma série de ataques aéreos da coligação sobre os jihadistas. Mas junto à fronteira com o Iraque, bombardeiros turcos atingiram os curdos do PKK, partido considerado terrorista pelo regime de Ancara.

A colina de Tall Shair, na parte oeste de Kobane, tinha sido capturada há 10 dias pelo EI, que está a tentar tomar a cidade síria, às portas da Turquia. O grupo jihadista já tinha tomado 40% da cidade e os Estados Unidos, que estão a liderar a coligação, temem que os ataques aéreos não sejam suficientes para impedir o avanço do EI.

Para apoiar os combatentes no terreno, um grupo que estava a monitorizar a guerra civil síria, bem como um enviado das Nações Unidas, apelaram à Turquia para que abrisse as fronteiras e deixasse passar combatentes.

Mas, para além de recusar, e num acontecimento à parte, de acordo com a BBC a Turquia bombardeou combatentes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) na província de Hakkari, perto da fronteira com o Iraque, provocando “pesadas baixas” aos combatentes curdos. Para Ancara, o PKK é um partido terrorista e os bombardeamentos foram feitos apesar de atualmente haver uma trégua entre os dois países, e independentemente das perdas que pode causar na luta contra o Estado Islâmico.

A ação de Ancara promete incendiar os ânimos internos. A situação da população curda em Kobane tem desencadeado violentos protestos na Turquia e pelo menos 33 pessoas morreram em três dias de protestos, incluindo dois agentes da polícia.