O governo italiano anunciou que o exército vai começar a cultivar canábis de modo a que esta planta, cujo uso terapêutico foi legalizado na semana passada, baixe o preço e nalguns casos passe a ser distribuída gratuitamente nas farmácias. Atualmente o grama de canábis custa 38 euros na farmácia enquanto na rua, através de distribuição ilegal, é possível adquirir a mesma quantidade por 5 euros.

De modo a travar o tráfico desta planta, que também é consumida como droga, e ao mesmo tempo baixar os preços, os laboratórios do exército vão lançar um projeto piloto de modo a cultivarem canábis e assim acabarem com a dependência externa deste produto – a maior parte da marijuana consumida para fins terapêuticos em Itália provém da Holanda. Uma receita mensal desta planta, aviada na farmácia pode chegar aos 1.000 euros, o que resultou numa utilização legal muito reduzida.

A primeira plantação do Exército vai ser feita a poucos quilómetros de Florença e, segundo a Reuters, o Governo espera assim trazer à população “canábis segura, legal e com um preço acessível”. Gianpaolo Grassi, um engenheiro agrícola especializado em canábis, detém a única licença no país para cultivar a planta ao ar livre com mais de 0,2% de tetraidrocanabinol – ou THC, substância psicoativa encontrada na marijuana -, e será a sua marijuana que vai servir para começar a plantação do Exército.

Apesar da legalização e generalização da marijuana para fins terapêuticos, o Governo defende que não está a pensar avançar para a legalização recreativa desta planta. Pelo menos 20 regiões já se mostraram disponíveis para distribuir gratuitamente canábis aos pacientes, embora haja receios quanto à utilização desta planta. O senador Carlo Giovanardi, que se opõe à utilização desta droga, disse que a legalização pode levar a que se forme uma “sociedade de zombies”.