O Presidente francês defendeu que a Turquia tem de abrir a fronteira com a Síria para permitir a ajuda aos combatentes curdos na cidade fronteiriça de Kobane, atualmente sitiada pelos jihadistas do movimento Estado Islâmico. “A Turquia deve abrir absolutamente a sua fronteira” para permitir a ajuda aos defensores de Kobane, que são “os curdos sírios”, declarou François Hollande.

Na mesma intervenção, o chefe de Estado francês exortou “a todos os países interessados” na atual situação, incluindo aqueles que não integram a coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, a fornecerem armamento para aqueles que estão a combater os jihadistas, nomeadamente na cidade síria curda de Kobane.

“Lanço aqui o apelo, para além da coligação, a todos os países interessados para darem a esta oposição o apoio que ela espera de nós, os meios que precisa para lutar contra o terrorismo”, afirmou Hollande, citando o exemplo de Kobane, uma “cidade mártir” e um símbolo da luta contra o Estado Islâmico. “Kobane poderá a qualquer momento cair nas mãos dos terroristas”, advertiu.

Nos últimos dias, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não-governamental com sede em Londres, alertou que os jihadistas já controlam cerca de 40 por cento da cidade. Grupos curdos têm vindo a pedir a Ancara que permita a passagem por território turco de armamento para os combatentes que lutam em Kobane. Mas a Turquia está relutante quanto a fornecer armamento aos curdos e a intervir militarmente contra os jihadistas, temendo que uma ação militar em Kobane possa reforçar o campo do Presidente sírio, Bashar al-Assad, e fortalecer os militantes curdos ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, força separatista considerada por Ancara como ilegal).

Na segunda-feira à noite, a Turquia bombardeou posições dos rebeldes curdos do PKK, pondo em risco as negociações de paz lançadas há dois anos e já ameaçadas pelo conflito na vizinha Síria.