Ébola

Ébola: Portugal deverá montar base de retaguarda no Hospital Militar de Bissau

Portugal deverá montar uma base de retaguarda para prevenção e combate ao vírus Ébola no Hospital Militar de Bissau, anunciou hoje a ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Valentina Mendes.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Portugal deverá montar uma base de retaguarda para prevenção e combate ao vírus Ébola no Hospital Militar de Bissau, anunciou hoje a ministra da Saúde da Guiné-Bissau, Valentina Mendes.

“Portugal vai criar uma base no Hospital Militar: lá é que vão ser instalados os equipamentos e o pessoal que vem [para Bissau]”, explicou a governante. Valentina Mendes falava após encontros mantidos na sexta-feira e hoje com o Diretor-Geral de Saúde de Portugal, Francisco George, e Paulo Campos, presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) português, que se encontram na capital guineense.

A base portuguesa deverá complementar um centro de tratamento e isolamento para casos de Ébola que o governo de Bissau quer implantar no Hospital Simão Mendes, principal hospital público do país, mas também um dos mais degradados. De acordo com Valentina Mendes, o executivo vai redigir uma carta-pedido endereçada ao Governo português, detalhando a cooperação desejada e entretanto esboçada com Francisco George e Paulo Campos.

No documento “estará todo o pacote”, referiu a ministra, desde equipamentos em falta, necessidades de treino e outros recursos, como por exemplo, um laboratório. A carta será entregue em mão pela própria governante ao Governo português durante uma deslocação que vai efetuar a Portugal, ao lado do primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira, antes do final do mês.

A governante espera que em novembro seja possível receber as primeiras equipas médicas portuguesas em Bissau. Apesar de se chamar Hospital Militar, 98% dos casos tratados são de civis, mediante o pagamento de uma taxa moderadora de cerca de três euros. Construído em 2011 através da cooperação chinesa na Guiné-Bissau, a unidade tem das melhores instalações e serviços do país, ainda assim, extremamente carentes: conta apenas com dois especialistas, um cirurgião e um obstetra, o que limita a utilização de equipamentos de diagnóstico.

Tendo em conta o contexto, e consoante evoluir a ameaça do Ébola, as equipas médicas portuguesas poderão envolver-se na promoção de outros cuidados de saúde, admitiram os participantes. Francisco George e Paulo Campos visitaram o Hospital Militar hoje de manhã. Para o presidente do INEM, há um interesse particular em unir a função hospitalar à tutela militar, dada a necessidade de proteger instalações que lidem com o vírus Ébola – que já foram atacadas noutros países afetados pela epidemia.

Por outro lado, “é uma estrutura organizada” e “talvez o melhor polo de saúde na Guiné-Bissau”. No entanto, “não vamos colocar a tónica só neste hospital. Este pode ser um pilar importante, mas temos que explorar todos os pilares da cooperação na área da saúde”, disse. Augusto Mendes, diretor clínico da unidade, disse à Lusa que o mais urgente é “treinar os técnicos e pessoal médico, não só na parte teórica, mas também sobre a maneira de usar os ‘kits’ de proteção” contra o Ébola.

Apesar de os dois países com que faz fronteira já terem sido afetados pelo vírus Ébola, a Guiné-Bissau continua livre da ameaça mortal. A norte, no Senegal, já foi verificado um caso importado, entretanto curado, e a sul, na Guiné-Conacri (onde a epidemia eclodiu), o Ébola continua a matar.

Desde meados de agosto que a Guiné-Bissau fechou as fronteiras com Conacri, apesar das queixas de comerciantes e da população fronteiriça, para prevenir a entrada de pessoas infetadas – apesar de haver relatos de travessias em zonas não vigiadas pelas autoridades. Segundo o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Ébola causou mais de 4.500 mortos em cerca de 9 mil casos registados na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, os mais afetados, mas também Nigéria, Senegal, Espanha e Estados Unidos.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)