Brittany Maynard mudou de ideias. A norte-americana de 29 anos com um cancro cerebral terminal que, no início de outubro, tinha anunciado a decisão de pôr fim à própria vida no próximo dia 1 de novembro, afirma que não está pronta para morrer já – mas que, a dada altura, acabará por decidir um dia para morrer.

“Ainda me sinto suficientemente bem, ainda tenho energia suficiente e ainda me rio tanto com a minha família e amigos que não me parece que agora seja a altura certa. Mas ela vai chegar, porque eu sinto-me cada vez mais doente. Está a piorar todas as semanas”.

As palavras de Brittany surgem no seu novo vídeo, lançado no seu site The Brittany Maynard Fund, que, apoiado pelo movimento civil Compassion & Choices, tem como objetivo recolher donativos para aquele movimento, que luta pela expansão da eutanásia de pacientes terminais a todos os estados dos Estados Unidos da América. Atualmente são cinco os que permitem a morte medicamente assistida.

“Não há nenhuma célula suicida no meu corpo”, dizia Brittany Maynard numa entrevista à People no início de outubro. Em janeiro deste ano, Brittany viu ser-lhe diagnosticado um glioblastoma multiforme de nível 4, uma forma severa de tumor cerebral com uma taxa muito baixa de sobrevivência. Na altura, os médicos deram-lhe seis meses de esperança de vida e Brittany optou por não fazer os tratamentos de radioterapia adequados à doença, que afetariam significativamente a sua qualidade de vida.

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Na semana passada, Brittany cumpriu o último desejo de uma lista que fizera das últimas coisas que queria fazer antes de morrer (bucket list): foi ao Grand Canyon. “É lindo de cortar a respiração e tive a oportunidade de me divertir com as duas coisas de que eu mais gosto: a minha família e a natureza”, escreveu Brittany no seu blogue, descrevendo em seguida “o pior ataque que teve até ao momento” provocado pela doença.

“Infelizmente, na manhã seguinte, tive o meu pior ataque até agora. A minha fala ficou paralisada durante algum tempo depois de recuperar a consciência e a sensação de fadiga continuou o resto do dia. O ataque foi uma lembrança dura de que os meus sintomas continuam a piorar”.