A Jerónimo Martins perdeu quase 9% (8,97%) do seu valor em bolsa nesta quinta-feira. As ações da empresa de distribuição fecharam nos 7,225 euros, o preço mais baixo em quatro anos. Num só dia, a capitalização do grupo caiu cerca de 450 milhões de euros e mais de metade desta desvalorização corresponde à participação da família Soares dos Santos na empresa.

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos, em que Alexandre Soares dos Santos é o maior acionista, controla cerca de 56% do capital da Jerónimo Martins. O valor bolsista desta participação controlada pelo segundo homem mais rico de Portugal baixou 252 milhões de euros em apenas um dia. Ontem, a Jerónimo Martins fechou a valer menos de cinco mil milhões de euros.

Desde o início de 2014, a empresa que já foi a estrela da bolsa de Lisboa perdeu mais de 40% do seu valor, o que se traduz numa desvalorização superior a dois mil milhões de euros do principal ativo da família Soares dos Santos. De acordo com o mais recente ranking dos milionários portugueses, realizado pela revista Exame com dados relativos ao final de 2013, Alexandre Soares dos Santos era o segundo homem mais rico de Portugal, a seguir a Américo Amorim,

O património de Alexandre Soares dos Santos estava avaliado em cerca de 1,6 mil milhões de euros, o que corresponde, sobretudo, à participação que detém na Jerónimo Martins. Mas o líder histórico da empresa não é acionista único da sociedade que possui o controlo do grupo. Segundo as contas da revista Exame, o valor da participação acionista na Jerónimo Martins permitia colocar na lista dos mais ricos de Portugal mais dois membros da família Soares dos Santos, num total de três.

Soares dos Santos possui cerca de 40% da empresa que controla a JM. A sua participação indireta no capital do grupo que está na bolsa será de 22,4%, posição que se desvalorizou cerca de 100 milhões de euros na sessão de quinta-feira.

Porque cai a JM

A queda da Jerónimo Martins não é um fenómeno isolado numa bolsa onde o principal índice, o PSI 20, acumula uma perda de 20% desde o início do ano. No entanto, a performance da empresa de distribuição tem sido mais negativa, tendo acentuado as quedas a partir de setembro. Os resultados do terceiro trimestre, conhecidos na quarta-feira, ampliaram as desconfianças dos investidores quanto à rendibilidade das operações na Polónia.

Os lucros da JM caíram 15,5%, devido à erosão das margens no mercado polaco causadas pela queda dos preços dos produtores alimentares e pela concorrência agressiva. A empresa anunciou o congelamento de abertura de novas lojas no país. A deflação alimentar também está a pressionar a operação dos supermercados Pingo Doce em Portugal.

Fundo americano vendeu 19,7 milhões desde Julho

O fundo americano BlackRock comunicou, nesta quinta-feira, a redução da sua participação na Jerónimo Martins para menos de 2% do capital. O fundo que chegou a ser o segundo maior acionista da empresa portuguesa, com 5% do capital, comunicou ter agora 1,87%.

Em julho, a BlackRock tinha informado estar na posse de cerca de 31,4 milhões de ações da JM, o que equivalia a 4,99% do capital. Entre essa data e ontem, o fundo alienou 19,7 milhões de títulos, o que representa a venda de mais de 3% do capital do grupo de distribuição português.

O desinvestimento surge num contexto de acentuada queda das ações da Jerónimo Martins, perante os problemas de rendibilidade da operação polaca.