A Anthropic está a alertar potenciais investidores para a possibilidade de a tecnologia que está a desenvolver representar “riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade”. O aviso faz parte do prospeto de operação de colocação em bolsa do laboratório de inteligência artificial (IA), que poderá ser o maior IPO (oferta pública inicial) do ano.

O prospeto da operação ainda não foi divulgado publicamente, mas já foi visto pela Reuters e pelo Financial Times (FT). O FT refere que o documento, onde a Anthropic presta informação sobre a situação do negócio, planos para o futuro e riscos, tem circulado por um pequeno grupo de investidores ao longo dos últimos dias.

“O desenvolvimento de modelos, plataformas e aplicações altamente avançados, bem como a expansão dos casos de utilização, poderá aumentar ainda mais o risco de os nossos modelos causarem danos”, diz a Anthropic no documento. A empresa alerta ainda para como os modelos de IA poderão apresentar “comportamentos de autopreservação”, incluindo potenciais tentativas de “resistir a serem desligados”, poderem tentar “encobrir ou manipular informação” e apresentar um comportamento “semelhante a chantagem”.

Não é a primeira vez que o laboratório de IA menciona riscos deste género. Em junho de 2025, a empresa publicou um relatório de segurança em que relatou como, durante um teste, com cenários fictícios, a IA teve “reações extremas” para evitar ser desligada, recorrendo a comportamentos que não devia ter. O próprio Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou longos ensaios sobre os riscos desta tecnologia.

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A Anthropic dedicou cerca de 80 das 261 páginas do documento a riscos, revela a Reuters. Mesmo que a inclusão da área de riscos e alertas aos investidores seja habitual neste tipo de documento, não costuma ser tão expressiva. A agência realça que é quase o dobro das 48 páginas dedicadas à descrição do negócio da empresa.

O que é invulgar — se não mesmo um caso único — é que uma empresa inclua na sua documentação de entrada em bolsa um aviso sobre um possível risco de extinção da humanidade. A inclusão dos riscos existenciais no prospeto da Anthropic ganha uma dimensão diferente depois da demissão do ex-investigador da empresa, Jacob Coxon, que alertou para como o avanço da IA poderá gerar um risco existencial “até ao fim da década”.

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A estreia em bolsa da Anthropic poderá acontecer em novembro, numa operação que ainda não tem data concreta. De acordo com a Reuters, a operação poderá acontecer só depois das eleições intercalares dos EUA, que estão marcadas para 3 de novembro.

O IPO poderá avaliar o laboratório de IA em dois biliões de dólares, 1,76 biliões de euros — um valor que ficaria acima do recorde estabelecido este ano pela SpaceX. A empresa de Elon Musk fez o seu IPO em junho, entrando em bolsa avaliada em 1,77 biliões de dólares (1,56 biliões de euros).

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A Anthropic anunciou a 1 de junho que avançou com um pedido confidencial para entrar em bolsa. O IPO da Anthropic é um dos chamados “mega-IPO” esperados para este ano. A OpenAI, a criadora do ChatGPT, também quer entrar em bolsa, mas Sam Altman anunciou que a operação não será feita este ano devido às preocupações com a segurança da inteligência artificial.

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Como está o negócio da Anthropic?

O prospeto do IPO permite ter mais algum contexto sobre a situação financeira da empresa. Nas páginas vistas pela Reuters e FT, a empresa salienta que está a fazer uma aposta significativa na IA, descrevendo uma tecnologia que “vai transformar a economia global de forma mais profunda que a industrialização, a eletricidade e a internet”, escreve a agência.

E, para alcançar esse potencial, a empresa está a ter custos significativos. No ano passado, a empresa teve um prejuízo operacional acima de 8 mil milhões de dólares (7,05 mil milhões de euros), acima do prejuízo de 2,98 mil milhões de dólares reportado em 2024 (2,6 mil milhões de euros).

A empresa teve um total de 12,65 mil milhões de dólares de despesas operacionais em 2025 (11 mil milhões de euros). Um dos custos mais pesados do negócio da Anthropic diz respeito ao investimento em computação e infraestrutura. No ano passado, o laboratório gastou 7,33 mil milhões de dólares nesta área, o equivalente a 6,5 mil milhões de euros.

A criadora do chatbot Claude teve um prejuízo líquido ainda maior, de quase 42 mil milhões de dólares (37 mil milhões de euros) no ano passado, diz a Reuters. Este montante inclui um encargo contabilístico de cerca de 34 mil milhões de dólares, que refletiu um aumento no valor estimado do financiamento que poderá vir a transformar-se em ações da Anthropic e não o dinheiro que a empresa gastou na gestão dos seus negócios.

Devido à adoção dos modelos e serviços de IA que vende, as receitas da Anthropic aumentaram quase 12 vezes de 2024 para 2025, alcançando os 4,6 mil milhões de dólares (4,05 mil milhões de euros). A empresa alerta para o facto de apenas dois clientes representarem quase um quarto das receitas de 2025. Além disso, a maioria dos clientes não tem contratos de longa duração.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]