O presidente da comissão executiva do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Rui Guerra, admitiu numa mensagem de despedida aos colaboradores que a instituição foi “embrulhada” num “tsunami vindo de outras paragens” e “impossível de vencer”.

A posição surge numa mensagem de correio eletrónico que Rui Guerra dirigiu, cerca das 21h de quarta-feira – após a Assembleia-Geral (AG) extraordinária que ditou a alteração da estrutura acionista da instituição -, aos colaboradores, que denominou de “grande equipa BESA”.

Rui Guerra esteve em funções 18 meses, substituindo no cargo o angolano Álvaro Sobrinho, tendo assumido nesta mensagem, a que a Lusa teve hoje acesso em Luanda, o “fechar deste último ciclo”, que representou “um desafio tremendo de dificuldades”.

“Hoje [quarta-feira], inicia-se um novo ciclo para o nosso BESA”, escreveu, garantindo que neste período “[a equipa] provámos que a competência prevalece a tudo e a todos”.

“Depois, foi o que se viu, fomos embrulhados pelo destino de forças exógenas que eram impossíveis de vencer, um autêntico tsunami vindo de outras paragens e vivemos momentos bem difíceis nas últimas semanas perante os clientes”, lê-se ainda na mensagem.

Recorda que nos últimos 18 meses, “começando de uma situação extremamente difícil”, o BESA angariou cerca de 21.000 novos clientes, abriu 33 balcões em todo o país e três centros de empresas, além de captar cerca de 600 milhões de dólares em novos depósitos.

“Chegámos aqui vivos e de cabeça erguida contribuindo vivamente para que o BESA prossiga, chamando-se BESA ou outro nome, sempre, mas sempre, com aquela atitude positiva que os clientes tanto apreciam e nos distingue”, aponta.

Rui Guerra tinha sido nomeado na gestão anterior, em que o BES português era maioritário no capital do BESA, e nesta mensagem confirmou a saída do banco angolano.

“Agora, virá um novo ciclo, projeto difícil nos primeiros meses, mas pelo que sei acredito ter hipóteses de ser um grande sucesso no médio prazo”, remata, antes de admitir que o banco fica agora recapitalizado, “com uma nova estrutura acionista forte e um projeto de futuro para todos, clientes, colaboradores e acionistas”.

O BESA vai passar a assumir a denominação de Banco Económico SA e entre os novos acionistas encontram-se o grupo público angolano Sonangol e o Novo Banco português, informou na quarta-feira o Banco Nacional de Angola (BNA).

As alterações foram decididas durante uma assembleia-geral extraordinária de acionistas, realizada em Luanda, em cumprimento das determinações do banco central angolano, que assim vai cessar a intervenção no BESA, esta sexta-feira.

Na mesma informação, o BNA esclarece que “se confirmou a subscrição do capital social”, conforme o próprio banco central tinha deliberado, há uma semana, no âmbito das medidas de saneamento e da intervenção direta do regulador no banco.

Embora sem revelar o peso de cada participação, o BNA informa que “sob aprovação prévia do regulador”, a Assembleia-Geral decidiu pela “continuidade do acionista Geni, S.A.”, que anteriormente detinha uma participação de 18,99%.

A nova estrutura envolveu também a entrada para o capital do agora Banco Económico da Lektron Capital (de acionistas chineses), do grupo petrolífero estatal Sonangol e do português Novo Banco, neste caso de 9,9%.

A estrutura anterior era composta ainda pelo Banco Espírito Santo (BES) com 55,71%, e pela Portmill, com 24%, participações que, conforme o BNA já tinha anunciado anteriormente, foram diluídas face ao aumento de capital agora concretizado.

Hoje, o BES considerou que as decisões tomadas na quarta-feira na AG extraordinária de acionistas do BESA são “inválidas e ineficazes”, pelo que informa que irá “agir em conformidade”.

De acordo com a instituição liderada por Luís Máximo dos Santos, a representante do BES foi impedida de participar na reunião, sob o pretexto de se ter atrasado.

“Sucede que, face à manifesta preterição das formalidades legais e estatuárias necessárias para que a assembleia pudesse reunir e deliberar sobre qualquer assunto, seria necessário que todos os acionistas do BESA estivessem presentes na reunião e, ainda, que aceitassem deliberar sobre os pontos da ordem de trabalhos, o que não sucedeu”, lê-se num comunicado.

O BES refere ainda que a AG foi adiada um dia e “muito embora tenham sido solicitados, não foram fornecidos quaisquer documentos ou propostas sobre os pontos em discussão”.

“Sem prejuízo da escassa antecedência da convocatória e da preterição de outras formalidades que dependiam da regularidade da mesma, o BES comunicou que se faria representar na referida Assembleia Geral através da mandatária que indicou para o efeito”, refere a instituição liderada por Luís Máximo dos Santos.