Freitas do Amaral defendeu num debate sobre a PT que a interposição de uma providência cautelar “pode ser uma arma” a ser usada pela comissão de trabalhadores da empresa ou por qualquer partido político, “para impedir que a venda da PT seja feita em segredo”. “A providência cautelar suspende a eficácia da decisão administrativa até o tribunal se pronunciar”, disse o antigo ministro dos negócios estrangeiros, em resposta a questões colocadas por representantes dos trabalhadores da PT. O professor de direito defendeu ainda que, para tentar impedir a venda da PT Portugal seja usada a possibilidade que a PT SGPS tem de vetar o negócio.

Freitas do Amaral foi um dos oradores do debate “Resgatar a PT. Uma Emergência”, promovido pelo polo de Lisboa do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Na segunda-feira, personalidades como Bagão Félix, Francisco Louçã, Freitas do Amaral e Manuel Carvalho da Silva subscreveram um “apelo para resgatar a PT”, em que exigem “das autoridades políticas e públicas uma atuação intensamente ativa” na empresa.

A Oi e a PT anunciaram a fusão dos seus ativos em outubro do ano passado. Este ano, no entanto, o acordo foi abalado após as notícias sobre a operação de compra de dívida da RioForte, ‘holding’ do Grupo Espírito Santo (GES), pela PT. A polémica em torno da operação levou, no início do mês passado, à renúncia de Zeinal Bava, que ocupava a presidência da Oi desde junho de 2013.

A multinacional do sector das telecomunicações ‘Altice’, que detém a portuguesa Cabovisão, anunciou, entretanto, uma oferta de 7.025 milhões de euros para a compra dos ativos PT fora de África. A empresária angolana Isabel dos Santos e a Sonae manifestaram quarta-feira disponibilidade para “integrar uma solução” para a Portugal Telecom (PT) que promova “a defesa do interesse nacional”.