O fadista João Braga atua na segunda-feira no Teatro S. Luiz, em Lisboa, para apresentar o espetáculo “Saudade Património do Fado”, dez anos depois da última vez que subiu a este palco, em nome próprio. No final do espetáculo, o fadista, de 69 anos, receberá a Medalha de Mérito, grau ouro, da Cidade de Lisboa, que lhe será entregue pelo presidente da Câmara Municipal, António Costa. Para o fadista, a distinção municipal é “uma honra” da cidade da canção que canta “há quase 50 anos”.

Em declarações à Lusa, o fadista afirmou que, “além de uma surpresa”, que por razões óbvias não quis adiantar, irá cantar fados do seu repertório, “nomeadamente com poemas de Manuel Alegre, que estará na sala”. “Cada fado tem essa grande virtude e qualidade, entre outras – sempre que o cantamos é um tema novo, renova-se automaticamente”, disse.

O fadista realçou que vai apresentar “um terceiro grupo de novos fadistas”, depois do primeiro apresentado em 1990, de que faziam parte Maria Ana Bobone, Rodrigo Costa Félix, Miguel Capucho, Ana Sofia Varela e Mafalda Arnauth, “e uma segunda vaga entre 1998 e 2002, naquele período em que Amália Rodrigues nos deixou”.

Este terceiro grupo é formado por Teresinha Landeiro, Matilde Cid, Francisco Salvação Barreto, Carmo Moniz Pereira e Teresa Brum Pinheiro. Todos os fadistas serão acompanhados pela “maravilhosa guitarra portuguesa de Luís Guerreiro, e o igualmente talentoso Jaime Santos” e ainda por Joel Pina, de 94 anos, músico decano do fado, de quem João Braga não abdica, “pois é absolutamente excelente, na segurança que transmite e o facto de o seu instrumento não se sobrepor aos outros – e isso é uma arte”, acrescentou.

O mais recente álbum de João Braga data de 2009, no qual gravou, no Fado Alexandrino, um poema de Vasco de Lima Couto, e ainda poemas de Manuel Alegre, nomeadamente, “Origens do fado”, tendo a música sido composta pelo próprio João Braga em parceria com José Fontes Rocha, “Há uma palavra perdida”, na melodia do fado Mágoa, de Pedro Lafões, e “Eu trago um fado”, com música de João Braga.

João Braga presta homenagem neste CD ao fadista e compositor Alfredo Marceneiro com uma letra de António Tavares-Telles, “O rei da viela”, que canta “num dos fados mais emblemáticas de Alfredo Marceneiro, o fado Versículo”, como disse à Lusa. Estes serão alguns dos temas que constarão do alinhamento do espetáculo no S. Luiz, a partir das 21:00. Um palco que traz ao fadista “boas e grandes recordações, vivências que são o grande ingrediente do fado”.

João Braga começou a cantar em 1966, ano em que conheceu Alfredo Marceneiro, e em 1967 estreou-se discograficamente com “É Tão Bom Cantar o Fado”. Para trás ficou por completar uma licenciatura em Direito, e uma passagem pelo jazz, tendo estado ligado ao primeiro festival do género em Portugal — o Cascais Jazz 1971 – que se realizou em Cascais, onde vivia. “Foram tempos divertidos e com muitas histórias, tantas como me tem dado o fado”, rematou.