Pedro Passos Coelho voa quarta-feira de Lisboa para o Funchal enquanto Alberto João Jardim voa do Funchal para o Porto. O presidente do Governo Regional da Madeira não vai estar presente nem na cerimónia sobre as “100 melhores empresas da Região Autónoma da Madeira”, nem sequer vai estar no arquipélago. À mesma hora que o primeiro-ministro estiver a falar no Funchal, Alberto Jardim estará no Porto a falar de regionalização.

As relações entre os dois nunca foram as melhores. Passos Coelho, aliás, nunca visitou oficialmente a Região Autónoma da Madeira e agora vai lá a convite do Diário de Notícias, o jornal privado a quem Jardim abriu guerra. Passos Coelho vai comparecer na “Cerimónia de entrega dos prémios da 25.ª edição das “100 Maiores e Melhores Empresas da Região Autónoma da Madeira”, organizada pelo jornal e mais tarde estará também presente no jantar. Jardim não.

E, de acordo com notícias do Público e da imprensa regional, terá mesmo dado indicações a que nenhum membro do Governo Regional esteja presente na iniciativa. E o porquê acabou por ser explicado no jornal oficial do Governo Regional, o Jornal da Madeira, por um membro da comissão política do PSD/Madeira. Luís Filipe Malheiro, dizia num artigo de opinião, que pouco importava o que Passos ia fazer à Madeira: “Por mim o homem podia vir à Madeira para fazer “parapente”, caçar gambozinos ou mergulhar com os lobos-marinhos nas Desertas, porque tal como esta vinda ao Funchal para falar aos empresários, isso significa zero”, escreveu.

Mas mais que isso, para o dirigente do PSD, o facto de Passos Coelho ir até ao Funchal a uma iniciativa privada mais não é do que “um óbvio afrontamento pessoal de Passos a Alberto João Jardim que decorre também do facto de sabermos as relações difíceis existentes entre o DN local e o Presidente do Governo Regional”.

Nas críticas à viagem de Passos, o dirigente do PSD lembra que se Passos vai esta quarta-feira participar numa iniciativa privada isso é “puro revanchismo e vingança pessoal contra o líder madeirense” uma vez que ao mesmo tempo “anulou a realização de uma reunião de trabalho agendada para dezembro em Lisboa entre delegações dos dois governos”. E se há críticas à viagem, há sobretudo críticas à personalidade de Passos Coelho. Diz o dirigente social-democrata que esta atitude mostra “a mediocridade da personagem em questão, a sua falta de caráter e a lamentável incapacidade em separar as questões pessoais das institucionais”. Passos é o primeiro chefe de executivo a estar presente nesta iniciativa onde já falou Cavaco Silva ou Marcelo Rebelo de Sousa.

Entretanto, Jardim decidiu nem estar no arquipélago e aceitou um convite para ir até ao Porto para um debate com o tema “Regionalização: Ainda um desafio para o País?”. A conferência é uma iniciativa do Instituto do Conhecimento da Abreu Advogados e conta com a participação de Luís Braga da Cruz, ex-ministro da Economia e ex-presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte, Maria de Belém Roseira, ex-ministra da Saúde e da Igualdade, e Rui Peixoto Duarte, sócio da Abreu Advogados.