As principais bilheteiras dos Comboios de Portugal estão encerradas esta segunda-feira devido à greve dos seus revisores e trabalhadores, disse à Lusa fonte do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante, adiantando que apenas os serviços mínimos estão a funcionar.

“As bilheteiras na zona norte estão todas encerradas, assim como as principais bilheteiras no resto do país”, disse à agência Lusa António Lemos, do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRC).

O dirigente sindical adiantou que na zona norte do país só há comboios de serviço mínimo e que só se efetuaram três comboios urbanos para a linha do Douro e Minho, “até ao momento”.

De acordo com o sindicalista, na Linha de Sintra só partiu um comboio.

António Lemos acusou ainda a CP de, ao contrário de em lutas anteriores, não ter bloqueado a venda de bilhetes nos comboios de longo curso, nomeadamente os Alfa e Intercidades, gerando uma “situação lamentável” para os passageiros que compraram bilhetes.

“A CP bloqueava a venda, coisa que não fez [desta vez] e o primeiro comboio do Porto para Faro foi suprimido, mas os passageiros ficaram ao abandono, sendo uma situação bastante lamentável. A ganância por parte da CP foi superior a tudo e a todos, foi uma falta de consideração total para com os trabalhadores”, sublinhou.

Por seu turno, a porta-voz da CP, Ana Portela, declarou que os serviços mínimos nas linhas ferroviárias nacionais estão garantidos “no dia em que se cumpre uma greve dos revisores e trabalhadores das bilheteiras da empresa Comboios de Portugal”.

De acordo com a porta-voz da CP, até às 06h00 de hoje foram cumpridos os serviços mínimos decretados pelo tribunal, tendo circulado 27 comboios, dos 63 programados.

Os serviços mínimos obrigavam a 22, segundo a mesma fonte.

Num aviso aos passageiros na sua página na Internet, a CP informava que, por motivo de uma greve convocada por diversas organizações sindicais, estão previstas perturbações nos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Regional, InterRegional e Urbanos, a partir das 00h00 de hoje.

A empresa antecipa ainda atrasos e supressões pontuais na noite de hoje e na manhã de terça-feira, nos serviços Regional, InterRegional e Urbanos.

Esta jornada de luta foi marcada para demonstrar “o descontentamento face à decisão do Governo em manter as medidas de austeridade”.