A última grande viagem oficial do Governo liderado por José Sócrates, no início de 2011, teve como destino os Emirados Árabes Unidos, tendo passado pelo Qatar e Abu Dhabi. Foi precisamente neste estado do Médio Oriente que o Presidente da República se pronunciou pela primeira vez sobre a detenção do antigo primeiro-ministro.

Cavaco Silva, que está também em viagem oficial pelos Emirados Árabes Unidos, evitou referir-se especificamente à detenção de José Sócrates tendo manifestado a convicção de que o caso não afetará a imagem de Portugal no estrangeiro. Esta é a primeira viagem de um presidente português à região que tinha já recebido um primeiro-ministro, José Sócrates.

A 15 de janeiro de 2011 o então primeiro-ministro socialista era a cabeça de uma comitiva de peso que incluía os ministros das Finanças, Teixeira dos Santos, e Negócios Estrangeiros, Luís Amado, que contava ainda com vários empresários e gestores de empresas públicas que estavam na calha para serem privatizadas. Fernando Pinto da TAP era um deles. Os contactos envolveram responsáveis dos governos e de empresas e fundos de investimento públicos dos Emirados.

O objetivo não assumido da viagem era mais uma tentativa de atrair investidores estrangeiros para as empresas, mas sobretudo para a dívida pública, numa altura em que o país já sofria sérias dificuldades para se financiar nos mercados financeiros. Sobre esse ponto de vista, a incursão de Sócrates ao Médio Oriente não teria resultados, sendo ainda reveladora das tensões que então marcavam o governo socialista. O pedido de ajuda internacional viria menos de três meses depois.