Clima

Impacto de desastres naturais: Tempestades severas, crianças mais pequenas

Doenças, escassez de comida e água potável afetam toda a população depois de um desastre natural. E isto atrasou o crescimento das crianças, revela estudo liderado por norte-americano.

O tamanho das crianças peruanas nascidas no final dos anos 1990 foi afetado pela tempestade provocada pelo El Niño em 1997-1998, conclui um estudo publicado esta terça-feira no Climate Change Responses. A equipa liderada por William Checkley, investigador na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, considera que os eventos climáticos adversos, que afetam uma grande quantidade de crianças num determinado local, podem ter impacto no futuro dessa comunidade.

O fenómeno climático El Niño – que provoca eventos extremos sobretudo no Pacífico Sul -, atingiu gravemente o Peru entre 1997 e 1998, segundo o Newscientist. A região noroeste do país foi fustigada com chuvas intensas – 16 vezes superiores ao normal – provocando o corte de estradas e o isolamento de aldeias durante vários meses. Noutros locais do planeta este fenómeno provocou variações de temperatura e seca extrema.

As cheias no Peru destruíram estradas e culturas, levando à escassez de alimentos e de água potável, assim como a diminuição no acesso aos cuidados de saúde. Estas condições poderão ter condicionado diretamente a saúde física e o crescimento das crianças das comunidades afetadas. Antes do El Niño, à medida que as condições económicas melhoravam, a altura média das crianças também aumentava – as crianças de dez anos tinham em média mais 0,6 centímetros que as crianças da mesma idade no ano anterior. Pelo contrário, as crianças que nasceram durante ou depois do El Niño de 1997-1998 eram 0,3 centímetros mais baixas do que deveriam ser se o ganho em altura continuasse, nota o Newscientist.

Durante o ano de 2008 e 2009, a equipa de William Checkley avaliou a altura, peso, massa gorda e massa magra (músculos, órgãos, ossos e fluidos corporais) de 2.095 crianças nascidas entre 1991 e 2001. Além da altura, também a quantidade de massa magra diminuiu nas crianças avaliadas. A diminuição de massa magra, provavelmente causada pela diminuição de massa muscular, pode afetar o desempenho físico dos indivíduos no futuro, comprometendo o desempenho em profissões como agricultura ou pesca, indica o Newscientist.

Andean girls pose for a picture during the harvest of native potatoes in the Pomacochas district of  the department of Apurimac, 900 kms southeast from Lima on May 26, 2014. Peru is the country with the greatest diversity of potatoes in the world, with some 3,800 types, differing in size, shape, color, skin, pulp, texture and  taste,  all of which have their place in Peruvian cuisine.   AFP PHOTO/ERNESTO BENAVIDES        (Photo credit should read ERNESTO BENAVIDES/AFP/Getty Images)

Crianças que crescem mais fracas, poderão ter menor capacidade física para a agricultura tradicional – ERNESTO BENAVIDES/AFP/Getty Images

Sabe-se que os desastres naturais, tal como as secas e cheias provocadas pelo El Niño, podem aumentar a incidência de doenças e diminuir a qualidade de vida das populações. Agora sabe-se também que pode afetar o desenvolvimento das crianças. Prever estes acontecimentos pode ajudar a minimizar o impacto a longo prazo nas comunidades. Apesar de o governo do Peru ter sido informado do fenómeno seis meses antes de acontecer e ter tomado medidas preventivas, as mesmas mostraram-se insuficientes neste caso, segundo o artigo publicado.

Mesmo mantendo as convicções em relação às conclusões, a equipa que juntou investigadores dos Estados Unidos, Peru e Reino Unido alerta que o estudo não conseguiu incluir outros eventos, além do El Niño, que pudessem ter provocado situações semelhantes ou outras causas para a subnutrição, além das que possam ter sido causadas pelas cheias.

O El Niño é um fenómeno climático com uma previsão mais ou menos apurada. Contudo o evento que se previa que este ano pudesse atingir a América do Sul durante o Campeonato do Mundo de Futebol ainda não teve lugar. “Três em quatro casos de previsão estão corretos”, afirma Armin Bunde, da Universidade de Giessen, na Alemanha. “Mas neste momento não nos é possível prever com que intensidade se manifestará o próximo.”

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