A organização terrorista do Estado Islâmico (EI) anunciou, no último número da revista Dabiq – um órgão de comunicação ao serviço dos jihadistas, publicado em inglês – que pretende “hastear a bandeira do Califado” desde Meca até Roma, passando por Jerusalém, naquela que foi mais uma ameaça clara à integridade de todos os não-muçulmanos.

Esta não é a primeira mensagem do género: ainda este mês, como explicou o jornal espanhol El Mundo, o autoproclamado califa, Abu Bakr al Bagdadi, garantiu, numa transmissão de áudio, que, “com a ajuda de Alá, a marcha dos muyahidin (guerreiros santos) continuará até alcançar Roma”. Além disso, no número anterior da revista, o EI prometeu criar um “império desde a Indonésia até Espanha”, para recuperar a grandeza que os primeiros muçulmanos alcançaram quando conquistaram a Europa a partir do sul de Espanha.

As ambições da organização terrorista parecem, de facto, não encontrar limites: “O Estado Islâmico está aqui para ficar, apesar do desprezo de todos os cristãos, judeus, politeístas e apóstatas. Vai continuar a espalhar-se para todos os cantos da Terra”, pode ler-se na publicação.

Aliás, ao longo do texto podem ler-se várias outras ameaças do grupo islâmico, cujos objetivos são estender a influência do EI a todas as regiões do globo, dominar e eliminar todas as outras religiões, todos os não-muçulmanos e todos os não-crentes. “A sombra deste abençoado ensinamento vai-se expandir para cobrir todas as partes da Terra, enchendo o mundo da verdade e da justiça do Islão e vai erradicar a falsidade e a tirania da jahiliyya (sociedades laicas)”, asseguram os jihadistas.

O EI deixou, ainda, um elogio aos fiéis que se juntaram recentemente ao movimento, oriundos de várias regiões, como a península egípcia do Sinai, a Líbia, a Argélia, o Iémen ou a Arábia Saudita. O grupo islâmico exortou todos os “muçulmanos (…) a libertarem as suas terras dos infiéis e a levantarem as suas espadas contra os judeus e os cruzados”.

A organização terrorista terá um exército de mais de 200 mil homens armados a combater na Síria e no Iraque, um número sete ou oito vezes superior à estimativa feita pelos serviços secretos norte-americanos, de acordo com Fuad Hussein, chefe de gabinete do Presidente da região curda do Iraque, Massoud Barzani.