destaque

Um dérbi faz milagres. É como um pó mágico, que pode curar feridas ou, se correr mal, abrir umas novas, que depois podem ser complicadas de sarar. Depende das bolas que entrem, do que os jogadores façam e de como a equipa se comporta com mais olhos do que o costume postos em cima de si. É destas partidas que os jogadores gostam. Há emoção a fervilhar, pressão a apertar e hipótese de agarrar no volante de um carro que seguia descontrolado.

Dérbi foi coisa de Taça de Portugal. E de Braga. O Sporting vermelho e branco, o que mora no Minho, foi a Guimarães, aos vizinhos, e saiu da cidade com vida e mais um golo marcado que o Vitória. E em festa, portanto, pelo salto rumo aos oitavos da competição. Seguia-se o campeonato, o tal onde, por muitas vitórias que tivesse em casa (cinco em cinco jogos), não conseguia levá-las para as visitas a estádios alheios. Até ir a Penafiel.

Foi por lá, fora do Minho, que a equipa cortou as amarras — e, à 11.ª jornada, conseguiu a primeira vitória forasteira na liga. Algo que não fazia desde abril. E logo com um 6-1, marcando o dobro dos golos que conseguira até agora. Efeito dérbi? Provavelmente. E terá alastrado a um Felipe Pardo irrequieto, um Rafa que a seleção principal tem esquecido e, sobretudo, com uma dupla em Pedro Tiba e Danilo que dá rotação e mantém a mexer a uma equipa que Sérgio Conceição tem tornado agressiva (no bom sentido), o suficiente para já estar no 4.º lugar.

Os vizinhos do Minho, mesmo perdendo o tal dérbi, voltaram a dormir uma noite embrulhados na liderança do campeonato. De sábado para domingo, fruto da vitória (2-0) que foram buscar a Moreira de Cónegos — outro dérbi –, o Vitória caçou os três pontos que deram à viagem do Benfica a Coimbra uma dose de pressão que a equipa de Jorge Jesus fintou com dois golos (2-0). Mas a vida continua, e bem vivaça, na equipa de Guimarães, que no capitão André André tem um homem que gosta de penáltis: marcou o quinto esta época, na liga, contra o Moreirense.

E sabem que mais? Tudo vai dar aos dérbis minhotos. Para a semana há mais um, quando for a vez do Braga receber o Vitória e agitar o topo do campeonato.

desilusão

Rui Quinta admitiu-o, antes de perder por 6-1: “Se olhar para a tabela fico deprimido.” Pudera. O Penafiel, no qual pegou à quinta jornada, está, cinco jogos depois, no último lugar da liga — até atrás da única equipa, o Gil Vicente, que ainda não conseguiu chegar ao final de um jogo e festejar uma vitória. O treinador já não vence na liga desde 20 de setembro, quando se estreou. Desde aí foram dois empates e cinco derrotas. Há que chegar a uma rotunda e mudar de direção, mesmo que “ainda haja muito campeonato pela frente”. A este ritmo, não servirá de nada.

Como também não serve a violência. Em Coimbra, no estádio da Académica, houve carga policial na secção do recinto que acolhia os adeptos do Benfica. O clube e as autoridades ainda nada divulgaram sobre o que terá motivado o episódio que até fez o árbitro interromper por momentos a partida. Mas são coisas que nunca, ninguém, gosta de ver. Como assistir a uma equipa terminar um jogo com menos jogadores em campo do que o suposto. O Boavista tem feito disso um hábito — já vai com sete expulsões neste campeonato.

frase

“A Liga de Clubes tem de ter um critério igual e não pode assobiar para o lado”. A frase, e queixa, veio da boca de Pedro Martins, depois de o FC Porto lhe acenar um adeus de mão cheia, no Dragão, por 5-0. O treinador do Marítimo criticou o dia (domingo) em que se realizou o encontro, quando, na quinta-feira, o Rio Ave tinha jogado em Kiev, para a Liga Europa, com o Dinamo de Miguel Veloso.

O técnico defendeu que a Liga “tem de olhar para isto e não permitir que volte a acontecer” se quiser “um campeonato competitivo”. Pedro Martins talvez até tenha razão — porque foi o Estoril, equipa que também jogou na quinta-feira (e sexta, porque a segunda parte foi adiada pela chuva), a ficar com o encontro que fecha a jornada. Mas a equipa canarinha jogou em casa e não teve de andar a viajar. Não foi por isto que o Rio Ave perdeu no Dragão, claro. Mas influencia.

resultados

Vitória de Guimarães 2-1 Moreirense
Belenenses 0-0 Arouca
Penafiel 6-1 Sporting de Braga
Sporting 3-0 Vitória de Setúbal
Gil Vicente 0-0 Nacional da Madeira
Marítimo 4-0 Boavista
Académica 0-2 Benfica
FC Porto 5-0 Rio Ave
* o Paços de Ferreira-Estoril Praia joga-se a partir das 20h desta segunda-feira.

O Sporting, a contar com todas as provas, conseguiu a terceira vitória consecutiva. E mais: juntou de início os dois avançados que, por norma, têm de dividir as vezes da titularidade e ambos marcaram. Foi bom. Mas, mesmo assim, podem fechar a jornada ainda no sétimo lugar caso o Paços de Ferreira vença o Estoril Praia. Na Madeira, o Marítimo recebeu o remendado Boavista de Petit com um 4-0 que, pelo meio, teve um golo que colocou Moussa Mazzou a par de Jackson Martínez e Anderson Talisca: com oito golos marcados no campeonato.

E esta jornada, a 11.ª, teve uma coisa especial. E histórica: foi a primeira de sempre em que os oito árbitros tiveram consigo uma lata de spray para marcar as distâncias nos livres. Tarde, mas bom.