Cerca de três centenas de antigos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa concentraram-se nesta quarta-feira junto às instalações da empresa na Pontinha, Odivelas, exigindo o pagamento por inteiro do complemento de reforma, que deixaram de receber no início do ano. No final de 2013, o Governo decidiu cortar aos reformados os complementos, o que correspondeu a diminuições entre os 40% e os 60% nas reformas dos funcionários.

Hoje, com a presença do secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, os reformados do Metropolitano de Lisboa discutiram uma proposta alternativa que irão enviar ao secretário de estado dos Transportes, Sérgio Monteiro.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Comissão de Reformados e Pensionistas do Metropolitano de Lisboa, Pedro Vazão de Almeida, disse que os antigos trabalhadores estão dispostos a abdicar até 9% do valor do seu complemento de reforma desde que essa verba seja destinada a um fundo de pensões.

“Disponibilizamo-nos a dar um contributo do nosso complemento na mesma percentagem dos descontos dos trabalhadores ativos, para que essa verba seja canalizada para um fundo de pensões, de modo a garantir no futuro o pagamento desse complemento sem estar dependente da vontade da maioria que esteja na Assembleia da República”, explicou. O sindicalista sublinhou que os reformados não vão desistir de lutar pela reposição integral dos complementos e assegurou que todos os partidos da oposição apoiam esta reivindicação.

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A decisão de cortar parte do complemento de reforma, que já motivou várias reuniões com o Ministério da Economia, está a gerar forte descontentamento junto dos cerca de três mil reformados afetados, que se queixam de estar com “muitas dificuldades ” para cumprirem com os seus compromissos. “Estou aqui para reivindicar aquilo que me foi tirado (60%). Tenho compromissos para cumprir e está cada vez mais difícil. Tive de abdicar de muita coisa e foi passar do 80 para o 8”, contou à Lusa Daniel Caetano, de 66 anos.

António Andrade, outro reformado do Metropolitano de Lisboa, afirmou estar “com a corda na garganta” e disse que é a filha que o ajuda a pagar algumas despesas: “Fui convidado a vir para a pré-reforma com várias promessas que agora não estão a ser cumpridas. Neste último ano, a minha vida mudou muito e cada vez está pior”, queixou-se.

A dificuldade sentida pelos reformados foi realçada pelo secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, que criticou a medida do Governo. “É uma afronta aquilo que o Governo está a fazer a estes reformados. O que está a ser feito é uma tortura psicológica. No nosso entender trata-se de uma violação do princípio de confiança e parece-nos ser ilegal”, afirmou.