Voluntariado

Centros comerciais vão ceder espaços a instituições para apelar ao voluntariado

Mais de vinte centros comerciais de todo o país vão ter um espaço onde as instituições de cada região podem apelar ao voluntariado, indicando as tarefas para as quais precisam de candidatos.

Centros comerciais passam a ter espaço para voluntariado

MÁRIO CRUZ/LUSA

Mais de vinte centros comerciais de todo o país vão ter, a partir de quinta-feira, um espaço onde as instituições de cada região podem apelar ao voluntariado, indicando as tarefas para as quais precisam de candidatos.

Lançado na véspera de se assinalar o Dia Internacional do Voluntariado, o projeto “Help Spot – Liga-te ao Voluntariado” resulta de uma parceria entre a Entrajuda e a Sonae Sierra e pretende aproveitar o elevado número de pessoas que visita os centros comerciais para ligar quem precisa a quem tem vontade de ajudar.

A presidente da Entrajuda, Isabel Jonet, explicou à agência Lusa que esta iniciativa está integrada no projeto solidário “Dar e Receber.pt”, uma plataforma online que faz a ligação entre quem tem alguma coisa para dar (tempo ou bens) e quem precisa de receber.

Com este projeto, que arranca hoje no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, esta ligação ganha uma dimensão física, já que em cada um dos 21 centros comerciais as pessoas passarão a ter contacto com as instituições da sua região e acesso a informação detalhada sobre os projetos que precisam de voluntários.

Isabel Jonet adiantou que o “Help Spot” tem “a componente de se realizar numa superfície comercial, onde habitualmente as pessoas estão mais para consumir, mas onde lhes é deixado um apelo à participação voluntária”.

“O objetivo é sempre trazer para a ribalta da sociedade civil o voluntariado enquanto intervenção, enquanto participação, mas sobretudo enquanto cultura, tanto para os mais novos como para os mais velhos, tanto para os desempregados como para as pessoas que estão no ativo”, frisou.

Entre as dezenas de projetos e tarefas que procuram de resposta, encontram-se companhia a idosos, ensinar famílias carenciadas a gerir melhor o seu orçamento, fazer pequenos arranjos de costura, remodelar ou pintar espaços infantis ou realizar atividade lúdicas com crianças ou deficientes.

Um estudo da GFK refere que apenas 4% dos portugueses realizaram trabalho voluntário em 2013 (mais 1% do que em 2010), mas este número sobe para os 26% quando são considerados os portugueses que contribuem com doação de bens (9% em 2010).

Segundo o estudo, 22% dos portugueses já colaboraram com instituições de solidariedade ou organizações não-governamentais, mas não o fazem de forma regular, enquanto 44% não estão envolvidos em qualquer atividade solidária.

Os grupos prioritários a apoiar são as crianças e os idosos, seguidos pelos deficientes, doentes e sem abrigo.

Dados do INE estimam que, em 2012, 11,5% da população com 15 ou mais anos tenha participado em pelo menos uma atividade de trabalho voluntário formal ou informal.

Isabel Jonet disse não concordar com estudos a nível europeu que dizem que Portugal é um dos países onde existe menor hábito de trabalho voluntário.

“Eu, pela experiência que tenho das diversas funções que tenho desempenhado, não concordo com isso. Penso é que há uma má estimativa e uma má avaliação do trabalho voluntário”, sublinhou.

“Não existem métricas para o contar e muitas vezes há um voluntariado informal, que não é tido em conta, e outras vezes o que existe é essa vontade que as pessoas têm de participar e sem saberem como”, acrescentou.

 

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