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“Neste cenário de escalada de necessidades de cuidados de saúde, é estratégico priorizar os cuidados paliativos.”

Honrar o fim de vida é uma prioridade. Encará-lo como uma etapa que deve ser valorizada e cuidada é possível. Graças ao Programa Humaniza, 86 mil pessoas puderam fazer desta uma realidade.

O Programa Humaniza, da Fundação ”la Caixa”, é lançado em Espanha em 2008 e é 10 anos depois que chega a Portugal. Em colaboração com o Ministério da Saúde, a missão tem sido a de complementar os cuidados de saúde, contribuindo para uma resposta mais humanizada no acompanhamento de pessoas com doenças avançadas.

As doenças avançadas e o fim de vida representam uma fase que pode trazer consigo várias dificuldades. Desde o físico, ao emocional, passando também por questões pessoais, doentes e familiares são, muitas vezes, “arrastados” de forma pouco cuidada para este processo. Nesta etapa, os cuidados devem ter como principal objetivo o conforto, o alívio do sofrimento e a melhoria da qualidade de vida, através de um controlo de sintomas e de apoio contínuo. Se os cuidados paliativos desempenham um papel importante, graças a uma abordagem centrada na dignidade, no respeito pela vontade do doente e nas necessidades dos respetivos familiares, a comunicação entre eles e os profissionais de saúde é fundamental para um acompanhamento que se quer mais humano. Neste sentido, o Programa Humaniza visa responder a todas estas necessidades, através de uma abordagem integral e centrada no bem-estar emocional, social e espiritual, incluindo apoio ao processo de luto e suporte aos profissionais de saúde.

“Os cuidados paliativos não são acessórios nem um nicho, são essenciais e transversais, tocam todos os contextos de cuidados – domiciliários, hospitalares incluindo urgências, cuidados primários (centros de saúde), instituições que prestam cuidados continuados, ERPIs, entre outros”. Quem o diz é Bárbara Gomes, Assessora Científica do Programa, explicando-nos de forma sucinta de que modo funciona o seu âmbito de atuação: “As Equipas de Apoio Psicossocial (designadas EAPS) complementam o apoio que os doentes e famílias já recebem, reforçando o apoio a dimensões psicológicas, sociais e espirituais. Trabalham em coordenação com os profissionais de saúde que já prestam cuidados aos doentes. Intervêm, nos dias de hoje, em 19 hospitais e em 37 estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI), colaborando com 86 equipas recetoras que referenciam doentes (muitas destas equipas recetoras são equipas de cuidados paliativos, mas não só). Prestam ainda apoio a 17 equipas domiciliárias, contando também com cerca de 30 voluntários. De momento temos 11 EAPS em Portugal, pelo menos uma em cada grande região do país – Lisboa, Norte, Centro, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira”.

Para além das EAPS, o Programa apoia cinco equipas domiciliárias de cuidados paliativos (EDCP) – constituídas por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais -, quatro dirigidas a doentes adultos e uma dirigida a crianças e adolescentes, sendo a última no Hospital Pediátrico de Coimbra, prestando apoio a crianças e adolescentes em toda a região centro. Permitem o acompanhamento dos doentes nas suas casas, sempre com foco no seu conforto, dignidade e qualidade de vida.

38576

Doentes apoiados através do Programa Humaniza

47548

Familiares apoiados através do Programa Humaniza

Só em 2025, as 11 Equipas de Apoio Psicossocial acompanharam mais de 6.500 doentes e mais de 8.100 familiares. No total, e desde o seu início, foram já apoiados, através do Programa, 38.576 doentes e 47.548 familiares, graças a estas equipas multidisciplinares que prestam apoio psicológico, social e espiritual, em complemento aos cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde. E os números não mentem. As avaliações efetuadas ao Programa revelam uma redução expressiva dos níveis de stress psicológico, ansiedade e depressão, bem como um aumento da sensação de tranquilidade e bem-estar. Em 2025, os dados revelam ainda que 80% dos doentes e familiares classificam o apoio recebido como muito ou extremamente útil. Para Bárbara Gomes, esta perceção subjetiva é bastante importante, uma vez que “em conjunto com dados mais objetivos sobre níveis de ansiedade e depressão, por exemplo, mostram que o Programa faz grande diferença para as pessoas a quem se dirige. Mostra que faz sentido continuar e crescer”.

Se é verdade que cada vez mais vai existindo conhecimento, e reconhecimento, desta visão mais humanizada dos cuidados paliativos, também é verdade que os desafios ainda vão surgindo pelo caminho. “As equipas do Programa fazem um trabalho extraordinário com ações de formação e sensibilização sobre o tema que ajudam a mudar mentalidades, mostrando que é fundamental atender a todas as dimensões humanas e saber chegar até às pessoas, nesta fase tão fundamental da sua vida. Porém, os desafios são múltiplos porque a sociedade vai envelhecendo, as doenças, nomeadamente as doenças crónicas, vão dominando cada vez mais e os recursos são escassos. Neste cenário de escalada de necessidades de cuidados de saúde, é estratégico priorizar os cuidados paliativos”.

Assim, é de olhos postos nestas necessidades que o Programa Humaniza continuará a traçar o seu caminho. Caminho esse que não é de agora e que não ficará por aqui. “Com impacto demonstrado, continuaremos determinados em complementar o apoio que já existe, de forma a melhor responder às necessidades das pessoas. Para que possam viver a vida da melhor forma possível até ao último instante. Apoiando as famílias durante o processo de doença e no luto”, acrescenta Bárbara Gomes.

Após um ano em que foi possível chegar a mais pessoas e continuar a fazer a diferença nas suas vidas, este é mais um ano de trabalho e de acompanhamento a quem mais precisa. Afinal, dignificar o fim de vida é possível e tem acontecido, dentro e fora de casa!

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