Os países em desenvolvimento poderão necessitar entre 203 a 406 mil milhões de euros em 2050 para proteger as populações dos riscos ligados às alterações climáticas, afirma um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) divulgado nesta sexta-feira. Esta nova estimativa é superior ao cálculo anterior, que previa gastos de 57 a 81 mil milhões de euros. O estudo baseia-se na possibilidade de que seja limitado em dois graus o aumento da temperatura global em relação à era pré-industrial.

“No momento que os dirigentes mundiais estão reunidos em Lima para uma nova etapa decisiva destinada à assinatura de um acordo mundial sobre as alterações climáticas, este relatório sublinha a importância de prever planos detalhados sobre ações de adaptação”, afirmou Achim Steiner, diretor executivo do UNEP, em declarações à agência France-Presse.

As consequências são particularmente preocupantes para os países menos avançados, cujos recursos financeiros consagrados ao desenvolvimento deverão ser desviados para financiar as medidas de adaptação”, acrescentou Steiner. As ações de adaptação incluem proteger as populações e as infraestruturas dos impactos do aumento do nível dos oceanos e da intensificação das inundações e das secas e a redução da emissão de gases com efeito de estufa.

Os países do hemisfério sul têm solicitado aos do norte que respeitem a sua promessa de garantir 81 mil milhões de euros de ajuda anual até 2020 e exigem que no futuro acordo, em princípio aplicado a partir de 2020, os países desenvolvidos se comprometam nos financiamentos que deverão ser canalizados para os países em vias de desenvolvimento.

A 20.ª Conferência das Partes (COP20) sobre Alterações Climáticas, que se iniciou na segunda-feira em Lima e decorre até 12 de dezembro, tem por objetivo preparar um novo acordo global que deverá ser assinado na cimeira de Paris, marcada para dezembro de 2015, e destinado a substituir o protocolo de Quioto a partir de 2020.