A paralisação das negociações na Cimeira das Alterações Climáticas de Lima poderá pôr “em risco” um pacto global em defesa da Terra, alertou hoje o representante norte-americano. As palavras do enviado especial da Administração de Obama, Todd Stern, foram ouvidas depois de ter visto mais de duas dezenas de países a recusarem o último texto.

O encontro em Lima, Peru, deveria ter terminado na sexta-feira, com os representantes dos 190 países presentes na cimeira a desenharem um esboço para um novo acordo, que irá substituir o Protocolo de Quioto. No entanto, a falta de consenso obrigou a que os trabalhos fossem prolongados para o dia de hoje, numa tentativa de acertar os termos do esboço para um novo acordo que deverá ser celebrado dentro de um ano em Paris.

“Tudo o que alcançámos até agora estará em risco e tudo o que esperamos vir a alcançar também ficará em risco”, alertou Todd Stern. A presidência peruana apresentou por volta das três da manhã um texto de cinco páginas que os negociadores discutiram até ao meio dia de hoje, altura em que recomeçou um novo plenário para que os países pudessem manifestar a sua posição: a maioria mostrou-se em desacordo.

O norte-americano Todd Stern, que foi um dos últimos a intervir no plenário, fez um apelo: “A Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas está em jogo, estamos em risco de perder a confiança dos cidadãos… Por favor, unam-se num consenso que nos leve a adotar um texto que facilite o caminho até Paris”. “Tenho a certeza de que iremos viver para nos arrepender se deixarmos o perfeito ser inimigo do bom, aqui em Lima”, concluiu.

Minutos depois foi a vez do presidente da cimeira falar: Manuel Pulgar Vidal alertou para o facto de os delegados presentes nas negociações estarem a “pisar a linha vermelha”. A sua última tentativa para “salvar o planeta”, disse Manuel Vidal, será fazer algumas alterações ao texto e consultar durante dez minutos cada uma das partes presentes nas negociações para tentar alcançar um acordo ainda esta noite.

Os representantes estão reunidos em Lima desde o dia 1 de dezembro para desenhar a fórmula que será usada pelos países durante 25 anos para proteger a Terra do aquecimento global.