Susana Abrantes disse à Lusa que, em “números redondos, só se realizaram 25% dos comboios previstos” para um dia normal, adiantando que a circulação se limitou aos serviços mínimos decretados pelo Tribunal Arbitral. “De acordo com a última atualização, das 9h45, só se realizaram 150 comboios de passageiros, 13 dos quais da Fertagus [travessia do Tejo pela Ponte 25 de abril] e dois de mercadorias, ou seja o que estava previsto como serviços mínimos”, explicou Susana Abrantes.

A greve dos trabalhadores da Refer (Rede Ferroviária Nacional), que contestam a fusão com a empresa Estradas de Portugal (EP), está a causar desde as 00h00 de hoje perturbações e supressões na circulação de comboios de passageiros e de mercadorias. Segundo Susana Abrantes, no período de hora de ponta, que vai até às 10h00, só circulou um em cada quatro comboios programados, prevendo-se que entre as 10h00 e as 16h30 se realize um em cada cinco.

Em declarações à Lusa, uma fonte da Fertagus, a empresa ferroviária que assegura a travessia do Tejo, adiantou que devido à greve da Refer só foi assegurada hoje de manhã 20% da oferta de comboios. “Dos 18 comboios programados para fazer a ligação sul/norte, entre as 07h00 e as 10h00, só se efetuaram cinco”, adiantou a mesma fonte.

De acordo com a empresa, durante a manhã, na hora de ponta circularam cinco comboios e à tarde (entre as 17h00 e as 20h00 no sentido de Lisboa para sul) vão circular seis comboios. “Os serviços representam cerca de 20% face a um dia útil normal. Fora dos períodos de hora de ponta a oferta será bastante reduzida, podendo os horários ser consultados no ‘site’ da Fertagus”, disse.

A CP confirmou também que a circulação de comboios foi afetada devido à greve da Refer, tendo-se realizado entre as 00h00 e as 08h00 de hoje apenas 89 dos 261 comboios programados. “Entre as 00h00 e as 08h00 realizaram-se 89 dos 261 comboios programados para esse período, o que representa cerca de 34% de comboios realizados”, disse à agência Lusa a porta-voz da CP — Comboios de Portugal, Ana Portela, salientando tratar-se apenas de serviços mínimos.

“A nossa previsão, neste momento, com o que é possível antever, é de que vai ser um dia apenas com serviços mínimos. Lembro que os serviços mínimos podem ser consultados na página da Internet da CP ou através do call center”, disse.

Por sua vez, a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FCTRANS) adiantou hoje de manhã à Lusa que a adesão à greve dos trabalhadores da Refer era de 100%.

“A adesão é elevada. Se excluirmos os trabalhadores que receberam a carta para se apresentarem para cumprir os serviços mínimos indicados pelo Tribunal Arbitral, no período da manhã é de 100%”, disse à Lusa o coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e comunicações (FECTRANS), José Manuel Oliveira. O coordenador da FECTRANS disse que o cenário ao longo do dia deverá ser idêntico, com adesão elevada em todos os serviços prestados pela empresa.

Os trabalhadores da Refer decidiram em plenário, a 02 de dezembro, marcar uma greve de 24 horas, com início às 00h00 de quinta-feira, para contestar a fusão com a EP anunciada pelo Governo, que, argumentam, “não é sustentada por nenhum estudo que aponte benefícios”.

Em declarações à Lusa, José Manuel Oliveira explicou que os trabalhadores da empresa pública decidiram avançar para a greve por recearem a perda dos postos de trabalho e de direitos.