O secretário-geral do PCP defendeu nesta terça-feira, após uma reunião com a direção do PS, a necessidade de uma rutura efetiva face às atuais políticas e não apenas em termos de declarações de intenções, criticando soluções tipo aspirina. Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas após ter estado reunido com uma delegação do PS liderada pelo secretário-geral socialista, António Costa, que decorreu na sede do PCP e que durou mais de uma hora e meia.

O secretário-geral do PCP acentuou a disponibilidade dos comunistas para uma convergência entre as forças de esquerda, mas salientou que essa convergência deve proporcionar uma efetiva rutura “face às políticas de direita” e não se limitar “apenas a declarações de intenções” com “silêncios comprometedores” face a questões estruturantes como o Tratado Orçamental ou a renegociação da dívida.

“Hoje existe um grande consenso na sociedade portuguesa no sentido de derrotar esta política de desastre que está a afundar o país e que são necessárias ruturas face à componente estruturante da política de direita. Há divergência com o PS sobre a Europa e no que se refere à necessidade de uma outra política económica com outra repartição da riqueza. É incontornável a rejeição do Tratado Orçamental e da renegociação da dívida”, disse.

Tendo ao seu lado o líder parlamentar, João Oliveira, e os dirigentes comunistas Jorge Cordeiro e Fernanda Mateus, Jerónimo de Sousa referiu que o PCP verifica que, apesar de “declaração de intenções” do PS no plano social, “não existe uma clarificação e uma vontade para romper com a política de direita” por parte dos socialistas.

“O PCP sempre estará presente numa convergência em torno de uma política verdadeiramente de esquerda patriótica. Os silêncios e as omissões face a questões estruturantes por parte do PS são logo o primeiro obstáculo a qualquer entendimento. Defendemos uma convergência com conteúdos políticos e não apenas declarações de intenções”, apontou o líder dos comunistas.

Interrogado se considera o PS um partido de esquerda e se exclui entendimentos pós-eleitorais, o secretário-geral do PCP defendeu que Portugal precisa de uma rutura e advogou que aos socialistas se coloca “uma exigência de clarificação”.

“Não aceitamos uma política que, mantendo o essencial dos condicionamentos atuais, proclame esta ou aquela medida parcial, porque a situação do país não se compadece com paliativos. Ninguém está contra a aspirina, mas consideramos que essa clarificação é importante, tendo em conta a situação de Portugal e os ditames da União Europeia – ditames que colocam em causa a soberania do país”, afirmou.

Jerónimo de Sousa deixou ainda mais um recado ao PS: “Não basta proclamar-se de esquerda, é preciso sê-lo na política e nas medidas que se propõem aos portugueses”. O líder comunista ressalvou depois que não encara o PS como “um partido de direita”, mas completou que o PS, no passado, “tem realizado uma política de direita”. “Isso é diferente”, acrescentou o secretário-geral do PCP.