Rafael Mora, administrador da Ongoing e da Portugal Telecom, reconhece que mudou de opinião sobre o conhecimento que a brasileira Oi e seus acionistas teriam do investimento de 897 milhões de euros feito pela operadora portuguesa na Rioforte do Grupo Espírito Santo (GES).

É minha convicção que qualquer pessoa, com princípios e humildade, pode perante novos factos e informações, mudar de opinião”, esclarece num direito de resposta a uma notícia de sábado do jornal Público, que realça a aproximação de Mora em relação à posição dos gestores brasileiros.

O investimento de 897 milhões de euros da Rioforte serviu de arma para os brasileiros imporem uma alteração dos termos da combinação de negócios que fragilizou a posição da Portugal Telecom e dos acionistas portugueses. O impacto financeiro desta aplicação, entretanto perdida, é também um dos argumentos da Oi para querer vender a PT Portugal. A operação deveria ser discutida na assembleia geral desta segunda-feira, reunião que no entanto poderá ser suspensa. A Ongoing, com 10% do capital da PT SGPS, é o único acionista que até agora já manifestou disposição de votar a favor da proposta da Oi.

O responsável da Ongoing admite que mudou de opinião, entre julho, quando se realizou a reunião do conselho de administração da Portugal Telecom, e em que contrariou os representantes da Oi, e setembro, na assembleia geral em que votou favoravelmente a revisão das condições de fusão das duas operadoras. Rafael Mora disse nesta ocasião que afinal os acionistas controladores da Oi não sabiam das aplicações em papel comercial da Rioforte. Conclusão a que chegou na sequência de novos dados e informação que tinha tido acesso nesses dois meses. Na altura decorria a auditoria independente da PwC ao investimento da empresa portuguesa, pelo que Mora se escusou de fundamentar essa opinião em público.

Agora que as conclusões da PwC foram tornadas públicas, Rafael Mora explica os fundamentos que o levaram a mudar de opinião. Argumenta que a Oi enviou recursos financeiros à PT Portugal, que passou a estar integrada na operadora brasileira desde maio de 2014, para a empresa portugueses cumprir os seus compromissos financeiros até setembro, no montante de 1.250 milhões de euros.

Mas em agosto a Oi foi confrontada com o facto de a PT não ter fundos necessários para amortizar os títulos convertíveis de 750 milhões de euros que venciam nessa data, tendo promovido um novo aumento de capital na PT Portugal para responder a essa operação. Ora, alega Mora, se os brasileiros tivessem tido logo conhecimento da aplicação na Rioforte, teriam enviado logo os 2.000 milhões de euros à PT Portugal.

No direito de resposta, o administrador da Ongoing e da PT aproveita também para reafirmar o desmentido a uma informação avançada na semana passada pelo Correio da Manhã, de que a Altice teria avançado fundos para reembolsar um empréstimo da Ongoing ao BCP. Esta operação, negada pelas duas empresas, era referida na edição de quinta-feira do Expresso Diário que noticiava averiguações por parte da CMVM às ligações de negócios entre a Oi. a Altice e a Ongoing, e que poderiam no limite, resultar na suspensão dos direitos de voto desta na PT.

No mesmo esclarecimento, Rafael Mora sublinha ainda que os negócios da Oi com uma empresa participada pela Ongoing no Brasil, a Realtime Corp, à qual preside, estão declarados e foram aprovados no conselho de administração da empresa brasileira.