Manuel Valls, primeiro-ministro francês, disse esta terça-feira no parlamento que a França está em guerra contra o jihadismo. “Sim, a França está em guerra contra o terrorismo. A França não está contra a religião”, deixou muito claro Valls. “A França vai proteger todos os seus cidadãos com a mesma determinação.”

O primeiro-ministro gaulês apareceu pela primeira vez no parlamento depois dos ataques da semana passada contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado judaico, levados a cabo por três terroristas associados ao Estado Islâmico. “Precisamos de profissionalização e de treinos de alta qualidade. Temos de perceber porque um jovem se torna radical. Sabemos como é fácil um delinquente ir para um estrangeiro e tornar-se radical. Temos de tomar medidas. Temos de ajudar e aconselhar”, sentenciou.

Manuel Valls garantiu que a guerra contra o terrorismo requer vigilância. “Temos de saber constantemente onde estão, onde vivem, o que estão a planear. Já pedi aos ministros do Interior e Justiça para criarem novos ficheiros. Temos de ser capaz de reagir rapidamente. Temos de lutar contra o antissemitismo. Esse sentimento é uma crise da democracia. É inadmissível”, explicou.

O discurso, apaixonado, sempre assente nos valores da república e na liberdade, ganhou outro tom e intensidade na reta final. “Como podemos aceitar que franceses morram só porque são judeus? É inadmissível. (…) Temos de dizer ao mundo que sem os judeus de França não somos mais França. Quando atacam judeus de França, atacam França e a consciência universal. Nunca se esqueçam disto.”

Vallas quis deixar claro que há uma diferença entre liberdade e antissemitismo e racismo. “Outra coisa importante é darmos proteção aos nossos compatriotas muçulmanos, pois eles estão preocupados. Voltaram a ver-se atos anti-muçulmanos. Vandalizar uma mesquita é uma ofensa aos nossos valores. O Islão é a segunda religião de França. O Islão tem um papel em França. Esta república tem de mostrar intransigência contra aqueles que, em nome do Islão, querem semear o medo e o radicalismo islâmico nos nossos bairros.”

Valls não aceita que os muçulmanos se sintam envergonhados por atos atrozes alheios, porque a “república aceita todos”. O primeiro-ministro francês exige uma resposta forte da sociedade gaulesa. “O laicismo tem de ser ensinado na escola. O laicismo é a república. A escola não é possível sem a república. A república não é possível sem a escola. Sim, pelo laicismo, pela opção de acreditar ou não acreditar.”

Manuel Valls terminou o discurso, que seria aplaudido de pé pela Assembleia Nacional, dizendo-se orgulhoso de ser francês. “Todos [os franceses], mais do que nunca, sentimos orgulho de ser franceses.”