O que faz com que uma pessoa se saia bem numa entrevista de emprego? Saber algumas coisas sobre a empresa para onde vai, saber explicar todos os pontos do currículo, ser cordial, sorrir, mostrar profissionalismo são alguns requisitos. Insultar o futuro patrão? Proibido.

Um londrino fez isso mesmo, mas tinha uma desculpa: não sabia que o homem que estava a insultar era o mesmo que, passadas umas horas, iria estar a entrevistá-lo para um emprego. Tudo se terá passado no metro de Londres, como conta Matt Buckland, o diretor de recursos humanos de uma empresa que ajuda startups a lançarem-se. O insultado, entenda-se.

“Estava a ir para o trabalho de metro na segunda-feira de manhã, durante a hora de ponta. Afastei-me para dar passagem a uma senhora e acabei a bloquear um homem por uns momentos. Ele empurrou-me para o lado, quase a deitar-me abaixo, e gritou”, disse Matt à BBC. E o que gritou o apressado? “Vá-se f…”, descreveu Matt no Twitter.

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Matt tinha agendada uma entrevista para um cargo que estava a tentar preencher para as 17h30 desse dia. O candidato apareceu um quarto de hora antes – como mandam as regras – e Matt reconheceu-o como o homem que o insultara. Pouco depois, surgia o tweet acima reproduzido, antes mesmo de a entrevista começar. “Foi muito estranho. Perguntei-lhe se tinha tido um bom trajecto [nos transportes] essa manhã. Rimos e, de uma forma muito britânica, acabei não sei como a pedir-lhe desculpa”, diz Buckland.

O homem entrevistado acabou por não ficar com o emprego, mas, ao que consta, sem que o episódio do metro tivesse influência. “Ele não era a pessoa indicada para o cargo”, resume simplesmente Buckland.

Entretanto, mesmo sem se saber o seu nome, o londrino mal-educado tornou-se uma estrela nas redes sociais. O tweet de Matt foi partilhado milhares de vezes no Twitter e no Facebook e, desde então, @ElSatanico, como Buckland é conhecido na rede social dos 140 carateres, recebeu centenas de depoimentos de pessoas que dizem já ter passado por situações semelhantes.

Uma pessoa que recebeu um CV de uma antiga colega de escola que a costumava perseguir.

Uma história semelhante, mas ao contrário: o pai de Gordon bateu no carro de um homem quando ia para a entrevista de emprego. Parou, deixou os seus dados no para-brisas. Acabou por ficar com o emprego, porque o carro era do entrevistador.

Já Lucy foi atirada ao chão, enquanto andava de bicicleta, pelo condutor de uma carrinha. O caso chegou a tribunal, o homem perdeu o trabalho e a casa. Acabou por ser alojado pela vítima.

Resta dizer que a vaga de trabalho ainda está aberta. É para um programador experiente.