O Alqueva produz energia, reforça o abastecimento de água a 200 mil habitantes, está pronto para regar 88 mil hectares dos 120 mil previstos e termina este ano, após um investimento total de 2,5 mil milhões de euros. Depois de 19 anos de obras e 13 desde o início do enchimento da albufeira, no projeto, considerado estruturante para o Alentejo, já foram investidos 2.143 milhões de euros do investimento total, distribuído pelas valências agrícola, hidroelétrica e de abastecimento público.

A albufeira de Alqueva, localizada no “coração” do Alentejo, no rio Guadiana, começou a encher a 8 de fevereiro de 2002, já atingiu várias vezes o nível pleno de armazenamento e, atualmente, está à cota de 149,77 metros, ou seja, a 88% da capacidade total.

A conclusão do projeto, inicialmente prevista para 2025, foi revista pelo anterior Governo PS para 2015 e, depois, antecipada para 2013, o que acabou por não ser possível, segundo o atual Executivo PSD/CDS-PP, que, entretanto, assumiu o compromisso de terminar as obras este ano.

Na valência agrícola, segundo dados fornecidos à agência Lusa pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), atualmente, dos cerca de 120 mil hectares de regadio previstos no projeto global, 68 mil estão em exploração e 20 mil começam a funcionar na campanha de rega deste ano, no início da primavera, perfazendo um total de 88 mil hectares. Os restantes cerca de 30 mil hectares estão em construção com vista à conclusão do empreendimento até final deste ano.

Quanto ao abastecimento de água, a EDIA terminou, em 2010, as ligações entre a albufeira “mãe” de Alqueva e as albufeiras de abastecimento público abrangidas pelo projeto, que está pronto para abastecer cerca de 200 mil habitantes sempre que haja necessidade de reforço. Tratam-se das ligações entre Alqueva e as albufeiras das barragens do Roxo, do Enxoé, e de Alvito (Beja) e do Monte Novo (Évora).

A barragem do Roxo abastece os concelhos de Aljustrel e Beja, a do Enxoé os de Serpa e Mértola, a de Alvito os de Alvito, Cuba, Portel, Viana do Alentejo e Vidigueira e a do Monte Novo os de Évora, Reguengos de Monsaraz e Mourão.

Na valência de energia, além de ter construído as centrais de Alqueva e do Pedrógão, que começaram a funcionar em 2004 e 2006, respetivamente, e foram concessionadas à EDP, a EDIA terminou em 2011 a instalação das cinco centrais mini-hídricas do projeto. Trata-se das localizadas junto às barragens de Alvito, Odivelas, Pisão, Roxo e Serpa, no distrito de Beja, que implicaram um investimento superior a 16 milhões de euros e juntas produzem 30 gigawatts/hora (GWh) de energia em ano médio.

Após obter a concessão, a EDP duplicou a potência da central de Alqueva, de 260 para 520 megawatts (MW), construindo uma segunda central, que custou cerca de 190 milhões de euros e começou a produzir energia em outubro de 2012. Com a duplicação, a central de Alqueva I e II tornou-se a segunda maior hidroelétrica em Portugal.

A EDIA aposta também noutras fontes de energia renovável com uma central fotovoltaica em exploração desde 2007, junto à barragem de Alqueva, com uma potência instalada de 65 quilowatts-pico (KWp) e com uma produção anual de 68.500 quilowatts-hora (kWh).

O projeto global de Alqueva obrigou à construção de uma nova povoação para alojar os cerca de 400 habitantes da “velha” aldeia da Luz, submersa pelas águas da albufeira, num investimento total de cerca de 39 milhões de euros.

Alqueva, na sua capacidade total de armazenamento, à cota de 152 metros, é o maior lago artificial da Europa, com uma área de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1.160 quilómetros de margens. O volume máximo de água da albufeira, 4.150 hectómetros cúbicos, “é muito próximo do consumo total anual de água de toda a agricultura, indústria e população em Portugal”, frisa a EDIA.

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