A empresa energética russa Gazprom deixou esta terça-feira um aviso à companhia ucraniana Naftogaz: se não houver adiantamento do pagamento relativo ao mês de março, a Rússia cortará o fornecimento de gás à Ucrânia a partir de quinta-feira. O presidente da Gazprom, Alexey Miller, já disse que se a empresa não receber o dinheiro de Kiev, isso terá repercussões no trânsito do gás para a Europa, como escreve o site do jornal ABC esta quarta-feira.

As crises no fornecimento de gás à Ucrânia não são de agora, mas esta ameaça surge no meio do conflito no leste do país, que opõe as forças de Kiev e os separatistas pró-Rússia que aí querem ganhar território. O governo ucraniano já acusou a Gazprom de ter desviado gás para as regiões de Donetsk e Lugansk, onde os rebeldes proclamaram repúblicas autónomas e separatistas. A Naftogaz, por sua vez, diz que no último pagamento à empresa russa fez uma transferência relativa a 114 milhões de metros cúbicos de gás, tendo recebido apenas 47 milhões.

O conflito no leste da Ucrânia não dá sinais de ter um fim à vista, mesmo depois dos acordos de paz de Minsk, alcançados no dia 12 de fevereiro. Na semana passada, os rebeldes pró-Moscovo tomaram a cidade de Debaltseve e estão agora a lançar ataques contra o exército ucraniano perto de Mariupol.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da França, Alemanha e Ucrânia estiveram reunidos terça-feira em Paris, lançando daí um apelo a Putin para que este cumpra os acordos de Minsk. O MNE alemão, Frank-Walter Steinmeier, avisou que um ataque contra Mariupol mudaria a base acordada em Minsk. O ministro ucraniano, Pavlo Klimkine, lamentou que os seus homólogos não tivessem condenado “com maior firmeza” a tomada de Debaltseve. O francês Laurent Fabius exigiu a extensão e reforço do mandato da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) na Ucrânia.