Passou um mês a cortar tudo: passes, fintas, cruzamentos e remates. Nada passava por ali, pelo central, baixa de altura, que decidira rapar o cabelo para o Mundial. Os italianos passaram o verão a chamarem-lhe “O Muro de Berlim”. E foi ele, o capitão, a levantar o caneco do Mundial de 2006, pela Itália. Aí, Fabio Cannavaro parecia ser intransponível, ao contrário do portão de uma moradia, em Nápoles, que, em conjunto com o irmão, decidiu trespassar. Ambos queriam ir dar um mergulho na piscina.

A tal casa fora do ex-internacional italiano e o problema esteve mesmo aí. Na quarta-feira, a justiça italiana condenou Cannavaro a uma pena de 10 meses de prisão — por invasão de propriedade privada. Para explicar isto há que recuar até outubro de 2014, quando o fisco italiano apreendeu várias propriedades pertencentes ao antigo defesa. Entre elas, e além de um iate avaliado em cerca de 140 mil euros, estava a tal habitação em Nápoles.

Porquê? Até poderia estar relacionado com a investigação que decorre na justiça italiana a uma alegada evasão fiscal, cometida pela Fd Service, empresa detida por Fabio Cannavaro. Mas não. A vivenda estava confiscada por não ter pedido autorização à autarquia local e, desse modo, violado regulamentos urbanísticos, para efetuar obras no jardim e construir a piscina. Ao que parece, Fabio, de 41 anos, a sua mulher e Paolo, irmão que, aos 33, ainda joga pelo Sassuolo, não quiseram saber.

O vencedor da Bola de Ouro em 2006 — coisa rara para um defesa, já que, antes, apenas Matthias Sammer, em 1996, e Franz Beckenbauer, em 1972 e 1976, tinham conquistado o troféu –, já terá apelado contra a decisão. Aos 41 anos, Cannavaro está hoje na China, a treinar o Guangzhou Evergrande.

A prisão, por enquanto, ainda não receberá o antigo jogador do Parma, Juventus, Inter de Milão e Real Madrid. O italiano já apresentou recurso, tal como a mulher e o irmão, e, portanto, as penas ficarão suspensas até que os tribunais se pronunciem.