João Proença, socialista apoiante de António José Seguro e ex-secretário-geral da UGT, defendeu esta terça-feira que a polémica declaração de António Costa perante uma plateia de representantes da comunidade chinesa tem razão de ser, porque “o país está melhor”, mas, por outro lado “os portugueses estão pior”.

Falando à margem das jornadas parlamentares do PSD um dia depois de Silva Peneda ter renunciado oficialmente ao cardo de presidente do Conselho Económico e Social (em vigor a partir de 1 de maio), João Proença garantiu não ter falado com o PSD sobre a possibilidade de ser chamado para o cargo, e que o facto de ter aceitado o convite para estar presente no evento nada teve a ver com o assunto.

Considerado o convidado mais “fora da caixa” de todo o painel, o socialista e ex-secretário geral da UGT João Proença era visto como a “estrela” das jornadas do PSD, que decorreram esta segunda e terça-feira no Porto, sob o lema do crescimento económico. Mas foi uma estrela apagada, ensaiando um discurso mais socialista do que o dos restantes convidados, onde pediu “menos austeridade e mais crescimento”, mas sem esquecer as paredes cor de laranja que o rodeavam.

Ao mesmo tempo que dizia que era preciso “apostar mais nas políticas de competitividade e de emprego” e que a “Europa não pode estar só viradas para as políticas de austeridade”, dizia também que, “claro”, “não podemos desequilibrar as contas externas”.

E destacou mesmo alguns aspetos positivos da atual governação, dizendo que “estamos a resolver o problema do défice [orçamental] e do acesso a financiamento”. Mas deixando também recados à plateia social-democrata e à política europeia. “O défice e a dívida não devem ser vistos como objetivos centrais” e o “crescimento económico em lugar nenhum se faz sem o Estado”, disse.

“A Europa não pode estar só virada para políticas de austeridade, tem de apostar em políticas de estabilidade e emprego e tem de perceber que a economia vive de gestão de expectativas, não é uma ciência exata. As pessoas para investir têm de acreditar que de facto vem aí investimento”, acrescentou.