No fim de semana não houve futebol na Grécia. A violência no Panathinaikos-Olympiakos, o dérbi de Atenas, onde os adeptos da primeira equipa atiraram tochas e objetos a Vítor Pereira, treinador da segunda, levara o governo helénico a suspender tudo. Durante uma semana não houve futebol para ninguém no país e o Dia D, o da decisão de quando o retomar, ficou marcado para esta quarta-feira. E a reunião de Stavros Kontonis, ministro-adjunto do Desporto, com Alexis Tsipras, primeiro-ministro, terá corrido bem, pois decidiram que a bola voltará a rolar e o futebol regressará aos estádios.

Ao contrário dos adeptos, para quem as portas, por enquanto, não se abrirão. O governo decidiu que as partidas da 27.ª jornada da Super Liga grega, agendadas para esta sexta-feira, sábado e domingo, serão realizadas à porta fechada. “Toda a gente tem de entender que estamos a agir com seriedade, sabedoria e, sobretudo, determinação”, disse Kontonis, após a reunião, citado pelo Kathimerini, sublinhando que “qualquer pai tem de ter a certeza de que, quando os seus filhos forem a um jogo de futebol, não os encontrará depois numa esquadra, num hospital ou numa morgue”.

(A violência que se viu antes do Panathinaikos-Olympiakos, de 22 de fevereiro.)

A interdição dos estádios a adeptos, em teoria, aplicar-se-á apenas aos jogos deste fim de semana, embora o ministro-adjunto do Desporto admite que a medida se pode prolongar para a jornada seguinte. Tudo dependerá, escreve o diário grego, da forma como os adeptos se comportarão nos jogos da Taça da Grécia, nos quais a interdição não se aplica. Especialmente no AEK-Olympiakos, outro dérbi de Atenas — este a contar para a segunda mão dos quartos-de-final — que se joga a 10 de março e, pelos vistos, já estará com a lotação esgotada.

Além do fecho temporário dos estádios a adeptos, os clubes também terão de reforçar a segurança nos recintos. “A partir de amanhã [quinta-feira] haverá uma diretiva com medidas de combate à violência, algumas das quais serão implementadas já, e outras a partir da próxima época”, explicou Stavros Kontonis, ao especificar que, já esta temporada, em caso de motins, os jogos serão “imediatamente suspensos” e, aos clubes, aplicadas multas e deduzidos pontos.

Para 2015/2016, o governo helénico pretende introduzir os bilhetes eletrónicos nos estádios, com o objetivo de “combater a violência” e a “evasão fiscal”.