Vende bens de luxo oriundos de mais de 300 lojas multimarca, desenhadas por ícones da moda como Alexander McQueen, Chloé, Dolce & Gabbana ou Marc by Marc Jacobs e fechou uma ronda de investimento que a avalia em 894 milhões de euros, cerca de mil milhões de dólares. A Farfetch tem sede em Londres, mas é obra portuguesa – na liderança e na tecnologia.

A empresa que o empreendedor português José Neves, 40 anos, lançou em 2008 chega a 180 países e na quinta ronda de investimento conseguiu um financiamento de 76 milhões de euros, liderado pela empresa de capital de risco DST Global. Além destas, investiram na Farfetch o grupo de comunicação social Condé Nast International e a empresa de investimento Vitruvian Partners.

Objetivo da quinta ronda de financiamento: expansão internacional e uma oferta omni-canal (que integra todos os canais de venda e trata o consumidor de forma única, independentemente do formato em que ele está a comprar), com tecnologia desenvolvida em Leça do Balio.

Com a maior avaliação de sempre, a luso-britânica Farfetch torna-se na primeira startup portuguesa a ultrapassar os mil milhões de dólares e é, por isso, uma empresa unicórnio. A valorização fez eco na imprensa internacional, com o Financial Times a dar-lhe destaque na sua versão online.

À publicação financeira, Yuri Milner, líder da DST Global, disse que investiu na Farfetch porque a empresa tem “uma equipa forte, um crescimento impressionante e um grande potencial”, apesar das dúvidas que incidem sobre o ecossistema tecnológico londrino: estará “sobreaquecido”?

“Temos feito uma caminhada fantástica até agora e é ótimo podermos somar a DST à nossa lista já extraordinária de financiadores, para a próxima fase de crescimento da Farfetch. O desafio agora é continuar a inovar e focarmo-nos em estabelecer uma marca duradoura a nível mundial. É um orgulho sentir que existem tantos portugueses a contribuir para o sucesso da Farfetch”, disse José Neves, fundador e presidente da Farfetch.

josé neves

Em 1996, José Neves lançou a marca de calçado Swear em Londres

O financiamento tem como destino a expansão internacional através de novos websites – em idiomas como o alemão, o coreano e o espanhol -, a abertura de novos escritórios em mercados chave à escala global e a expansão, do lado da oferta, para países como o Japão e a Austrália.

Além disso, José Neves quer incluir na sua oferta o lançamento de entregas no próprio dia em vários mercados globais e o desenvolvimento continuado de programas VIP e de fidelização para os consumidores da Farfetch, em 180 países. No ano passado, a Farfetch estreou-se na Rússia, China e Japão.

Os dois maiores mercados da empresa luso-britânica são o Reino Unido e os Estados Unidos da América, conta o Financial Times. O empreendedor revelou que a empresa ainda precisa de “amadurecer” e que descarta a hipótese de avançar para uma admissão em bolsa nos próximos dois anos.

Quanto a uma possível ameaça vinda de gigantes como a Amazon e o eBay, que têm aumentando as suas operações na área da moda, nos últimos anos, José Neves avançou que não está preocupado. Ao Financial Times, contou que evita participar em eventos de moda, apesar de trabalhar na indústria há mais de 20 anos. 

Com 40 anos, é casado e pai de quatro crianças. A Farfetch não é o primeiro projeto empresarial que lança. Em 1994, ainda estava a estudar Economia na Universidade do Porto quando fundou a Grey Matter, que atuava na área do software. Dois anos depois, decidiu apostar no setor da moda, ao lançar a marca de calçado Swear em Londres.

“Outras empresas na área da internet são, na verdade, movidas pelos dados. Elas pensam ‘vamos fazer este botão em laranja porque vende melhor do que em preto’. Nós não fazemos isso. Temos respeito pela estética e pelo ethos da indústria em que atuamos. Somos os campeões dos melhores curadores de moda”, disse.