A variação de preço do crude (brent) não influencia significativamente o preço dos combustíveis para o consumidor, já que este é determinado pela quantidade de oferta e procura, disse o presidente da Associação das Empresas Petrolíferas.

Segundo explicou à agência Lusa António Comprido, presidente da Apetro, o facto de, por vezes, o valor do brent estar a descer, a gasolina a subir e o gasóleo a descer não tem necessariamente uma “correlação imediata e direta”.

“A gasolina e o gasóleo são mercadorias com mercado e transações próprias, é o valor do mercado e não o valor que vem como consequência do brent. Claro que é muito importante o crude em geral, porque é o principal custo que influencia a gasolina e o gasóleo, mas o que conta é aquilo que o mercado está a pagar”, sublinhou.

O mesmo responsável lembrou ainda que o mercado em questão funciona com preços de substituição, ou seja, com “margens extremamente apertadas, que não têm qualquer hipótese de absorver variações das cotações”.

“Por exemplo, se eu comprava a 100, vendia a 105, mas na realidade, quando fosse repor o stock que tinha comprado já custava 110. Devido às margens muito pequenas com que a indústria trabalha, esta funciona em preços de substituição, ou seja o que conta é quanto é que vou ter de pagar para repor o meu stock e não quanto é que paguei há uma semana, há duas ou há um mês atras”, explicou.

António Comprido acrescentou que nas últimas semanas, e após uma queda para valores históricos, na casa dos 48 dólares por barril, houve uma inversão na tendência de queda do valor do brent e este tem vindo a subir em dólares, “aumento esse que está reforçado quando se passa para euros devido à desvalorização do euro”.

“Pode ter havido uma pequena queda na semana passada para esta na cotação do brent em dólares, mas em euros houve uma subida, mesmo o petróleo em euros tem constantemente estado em subida desde a semana três do ano”, explicou.

Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, a questão da cotação do euro/dólar pode inverter a tendência de descida ou subida do valor dos combustíveis.