O Parlamento Europeu informou nesta segunda-feira o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) acerca de “possíveis irregularidades financeiras” no partido de extrema-direita francês «Frente Nacional», liderado por Marine Le Pen, de acordo com o jornal norte-americano Wall Street Journal.

As suspeitas incidem sobre o pagamento de salários a assistentes parlamentares de eurodeputados, que alegadamente são efetuados utilizando o orçamento da União Europeia, indo contra as regras do Parlamento Europeu, diz o Wall Street Journal.

A administração do Parlamento Europeu verificou no final de fevereiro que o partido de direita radical «Frente Nacional» tinha 20 assistentes a trabalhar diretamente para eurodeputados do partido, segundo a página oficial do Parlamento Europeu.

De acordo com as regras do Parlamento Europeu, os assistentes pagos através de fundos da União Europeia só estão autorizados a trabalhar com assuntos diretamente ligados aos deveres parlamentares do eurodeputado ao qual prestam serviços. Nesses assuntos não estão previstas atividades relativas a trabalho para a «Frente Nacional», independentes do Parlamento Europeu, que os assistentes são neste caso acusados de prestar.

O Parlamento afirmou que 10 dos 20 assistentes envolvidos têm no seu contrato de trabalho a morada da sede o partido em Nanterre (França), em vez da morada dos escritórios dos respetivos eurodeputados, diz o Wall Street Journal. Adicionalmente, a descrição de trabalho que consta nos contratos laborais não coincide com os que se apresentam no site da «Frente Nacional».

O partido de extrema-direita ainda não comentou as acusações.

O Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) irá proceder à investigação formal do caso. Se as acusações forem dadas como credíveis, a «Frente Nacional» terá que reembolsar os salários dos assistentes.

A União Europeia não consegue fazer desta uma acusação criminal, mas o caso pode ser entregue às autoridades francesas para darem continuidade ao caso.