O Banco Espírito Santo (BES), agora Novo Banco, perdeu 9.306 milhões de euros em depósitos de clientes nos últimos seis meses do ano passado, enquanto a CGD foi o banco que mais aumentou os depósitos em 2014, segundo os relatórios e contas das instituições bancárias.

A fuga de depósitos do BES para outros bancos, certificados de aforro e outras aplicações em Portugal e no estrangeiro, chegou a ser de 11.315 milhões de euros entre julho e agosto do ano passado depois de o Banco de Portugal ter tomado o controlo do banco liderado por Ricardo Salgado, anunciando a separação da instituição num banco mau (‘bad bank’), que concentrou os ativos e passivos tóxicos, e num ‘banco bom’, o Novo Banco, que reuniu os ativos e passivos não problemáticos, como será o caso dos depósitos.

O relatório e contas do primeiro semestre do BES, que terminou a 30 de junho, indicava que a instituição financeira detinha 35.932 milhões de euros em depósitos de clientes. Quando o Novo Banco nasceu, a 4 de agosto do ano passado, os depósitos estavam nos 24.617 milhões de euros, ou seja, durante o período de julho, a nova instituição financeira perdeu 11.315 milhões de euros.

Já com o fecho das contas de 2014, anunciado esta semana pelo presidente do Novo Banco, Stock da Cunha, a instituição registava nas suas contas 26.626 milhões de euros, ou seja, menos 9.306 milhões de euros relativamente aos depósitos divulgados pelo BES a 30 de junho.

A administração do Novo Banco anunciou esta semana que o Novo Banco continuou a perder depósitos até final de setembro do ano passado, conseguindo inverter a situação no último trimestre do ano e fechando o ano com mais 2.000 milhões de euros quando comparado com os depósitos de 4 de agosto.

Os quatro maiores bancos em Portugal conseguiram também, durante 2014, aumentar os depósitos de clientes em 5.607 milhões de euros, tirando partido dos momentos conturbados vividos no BES. O principal beneficiado foi o banco estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD), que aumentou os depósitos em 4,6% para 70.718 milhões de euros, mais 3.095 milhões do que em 2013.

Estes dados vêm demonstrar que a Caixa continua a funcionar como instituição financeira de refúgio dos portugueses quando a credibilidade do setor é afetada. Já assim foi quando rebentou o escândalo do Banco Português de Negócios (BPN), atualmente detido pelo BIC.

Dos bancos privados em análise, o Millennium bcp foi aquele que conseguiu arrecadar mais depósitos. Ou seja, mais 1.222 milhões de euros (2,5%) do que em 2013, situando-se nos 49.817 milhões de euros.

Já a instituição financeira de capitais espanhóis, o Santander Totta, foi aquela que maior subida percentual teve, mais 5,6% relativamente ao ano anterior, conseguindo ‘roubar’ no mercado 1.075 milhões de euros em depósitos, atingindo os 20.346 milhões.

O Banco Português de Investimento (BPI) foi a instituição financeira que menos aproveitou a boleia da fuga de depósitos do Banco Espírito Santo. O banco liderado por Fernando Ulrich apenas conseguiu captar mais 215 milhões de euros em depósitos entre 2013 e 2014, uma subida de 1,1%, fechando dezembro do ano passado com 19.121 milhões.