Ele é um multimilionário americano com 71 anos cuja vida está envolta em questões duvidosas. Tantas, que deram origem a um documentário. E foi durante as filmagens, que Robert Durst acabou traído pelas suas próprias palavras. E tudo por causa de uma simples ida à casa de banho. É que Durst levava o microfone na roupa ainda ligado, e resolveu desabafar em voz alta: “Pronto! Foste apanhado. Que diabo fiz eu? Matei-os a todos, claro!”. Foi a confissão que faltava. A notícia é relatada no The Washington Post.

Afinal a polícia andava há trinta anos em busca de provas que pudessem comprometer Robert Durst. Acabou a deter o milionário no sábado, em Nova Orleães, num hotel onde se escondia com um nome falso.

Ele é o herdeiro da imobiliária Durst Organization, detentora de 11 arranha-céus em Manhattan, incluindo o One Trade Center, e era suspeito de matar a mulher desde 1982. Como nunca encontraram o corpo, Durst não foi a julgamento. Declarou-se sempre inocente quanto ao desaparecimento da primeira mulher. Mas terá sido esse o seu primeiro crime.

Durst também recusou sempre outra suspeita, a de ser o autor do crime que vitimou a sua amiga Susan Berman, filha de um gangster de Las Vegas.

E como não há duas sem três, em 2003, o multimilionário voltou a ser acusado de homicídio, o de Morris Black. Nesse caso Robert Durst alegou que o ataque aconteceu em legítima defesa, acabando por ser absolvido.

Mas Robert Durst não escapou sempre da prisão. Chegou a ser detido por invasão de propriedade. E a sua vida está cheia de polémicas. Cortou relações com a família e processou o irmão mais novo, exigindo-lhe 65 milhões de euros referentes à herança. E voltou a casar.

Até que aceitou integrar o documentário “The Jinx: live and deaths of Robert Durst”. No vídeo, o milionário admite ter mentido à polícia sobre o seu percurso no dia da morte da mulher, mas nega ter utilizado os contactos da máfia, conseguido junto a Susan Berman, para fazer o corpo desaparecer. E ela, assassinada depois, nunca pode testemunhar.

Os produtores tinham, no entanto, uma carta na manga. Aquando da morte da filha do gangster foi entregue à polícia de Los Angeles uma carta escrita com letras maiúsculas e que tinha a particularidade de a expressão “Beverly Hills” ter um erro. Durst sugeriu que a carta podia ser do assassino. Só que durante as filmagens do último segmento do documentário, a HBO mostrou uma carta dele com letra idêntica e precisamente o mesmo erro.

À frente das câmaras, Durst reagiu com normalidade. Mas no final das filmagens, teve de ir à casa de banho. E terá admitido ser o autor dos crimes. O FBI prendeu-o no sábado por suspeitar de que Durst não só matou a mulher, como é o assassino de Susan, por esta saber demasiado do primeiro crime.

Robert Durst foi enviado para a Califórnia para ser julgado pelo homicídio, mas ainda não se sabe se a gravação é válida, já que o milionário não tinha noção de que o microfone estava ligado. A família espera que “pague finalmente por tudo o que fez”.