Quase metade (45,6%) dos cerca de 9,77 milhões de chineses mortos em 2014 foram cremados, ilustrando o persistente e polémico empenho das autoridades em poupar as centenas de hectares de terra arável “consumidas” anualmente em sepulturas.

A percentagem foi divulgada pelo ministério chinês dos Assuntos Civis por ocasião do Dia dos Finados (Qingming), uma das datas mais veneradas pelas famílias chinesas, assinalada no domingo.

Se todos os mortos fossem sepultados segundo os métodos tradicionais, isso requereria cerca de 10 milhões de metros quadrados de terra, refere um relatório governamental.

A quantidade de madeira poupada no fabrico de caixões é também enorme: mais de um milhão de metros cúbicos, estimou há alguns anos um perito do setor.

Pela tradição chinesa, os corpos devem manter-se intactos depois da morte e no Qingming, as famílias reúnem-se para limpar as sepulturas dos antepassados.

A tradição é seguida sobretudo nas áreas rurais, onde vivem ainda cerca de 650 milhões de chineses, mas como noutras áreas, também isso está a mudar.

“O declínio do espaço para cemitérios está a fazer subir o preço dos funerais tradicionais e a reduzir a terra arável, florestas, prados e outros recursos ambientais”, realçou a agência noticiosa oficial chinesa.

Este ano, em Pequim, para encorajar a realização de “funerais amigos do ambiente”, o governo municipal duplicou para 4.000 yuan (cerca de 600 euros) o subsidio atribuído às famílias que optem por lançar ao mar as cinzas dos seus mortos.

O subsídio, cujo valor equivale a mais de o dobro do salário mínimo na cidade, cobre as despesas de deslocação e refeições para seis membros da família bem como o pagamento de uma “urna degradável”.

Segundo estatísticas citadas na imprensa oficial, a taxa de cremação na China cresceu mais de 10 pontos percentuais nos últimos 15 anos e em 2012 atingiu 49,5%, mais 3,9 pontos percentuais do que no ano passado.

Em algumas regiões, no entanto, as autoridades locais querem chegar aos 100% já em 2020.

Há cerca de cinco meses, “para dar o exemplo”, o governo da província de Yunnan, sudoeste da China, determinou que todos os membros do Partido Comunista e funcionários públicos seriam cremados depois de morrer.

As sepulturas tradicionais foram mesmo proibidas em algumas povoações.

Em 2012, em Zhoukou, na província de Henan, centro da China, o governo local removeu mais de um milhão de sepulturas.