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Os homens que foram infetados com ébola só devem manter relações sexuais protegidas. As orientações que indicavam um período de proteção de três meses para os indivíduos que tinham recuperado da doença foram alteradas para o uso de preservativos por tempo indeterminado, até que mais informação esteja disponível.

O ébola transmite-se entre humanos através dos fluidos corporais, como suor, saliva, urina, sangue ou fluidos seminais. A população, nas zonas afetadas, era aconselhada a não lavar os corpos dos mortos porque o vírus se mantém vivo durante 24 horas depois de a pessoa morrer.

A lavagem dos mortos, o manuseamento de carne de caça infetada ou os objetos cortantes ou perfurantes contaminados são algumas das formas de transmissão do vírus. Mas as relações sexuais também poderão ser, porque o sémen funciona como reservatório do vírus. No entanto, ainda não foi possível comprovar, sem dúvidas, este modo de transmissão.

Ainda assim, como forma de prevenção, as recomendações iniciais dos Centros de Controlo e Prevenção da Doença (CDC) norte-americanos aconselhavam o uso de preservativos durante três meses. Agora, depois de um possível contágio por via sexual, aconselham o uso de preservativo por tempo indeterminado até se verificar melhor esta situação.

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Aparentemente um homem que já não apresentava sintomas há 175 dias terá contaminado a namorada, noticiou o New York Times. Pelo menos é o que parecem mostrar as análises ao material genético do vírus – comparando as análises de sangue do homem enquanto estava doente, as análises ao sémen atuais e as análises à namorada. Mas os CDC alertam que mais estudos precisam de ser feitos. De qualquer modo, até se saber mais sobre a situação, aumentam as recomendações das medidas de prevenção.

Os CDC, a Organização Mundial de Saúde e o ministro da Saúde da Serra Leoa querem estudar a urina, o sémen e o leite materno de sobreviventes para ver se o vírus se mantém no organismo mesmo depois de ter sido eliminado do sangue.

O surto de ébola que tem afetado os países da África ocidental permite desenvolver estudos mais aprofundados sobre a doença. E a análise das medidas tomadas permitirá às autoridades de saúde perceber o que poderia ter sido feito de maneira diferente. A Organização Mundial de Saúde (OMS) admitiu ter havido falhas na gestão da epidemia e promete reformas para evitar novos erros, noticiou a Rádio Renascença. A resposta lenta e descoordenada e uma comunicação de risco pouco eficaz são alguns dos erros apontados. Como soluções sugere-se a criação de um fundo de contingência e a adoção de regras sanitárias internacionais mais apertadas.