O vencimento do presidente do Conselho de Administração da RTP foi calculado com base em dois pressupostos que têm de ser cumpridos: a apresentação de resultados operacionais positivos e uma avaliação igualmente positiva do serviço público. Esta é a explicação que Gonçalo Reis dá para justificar o salário de dez mil euros mensais que vai receber no cargo que agora ocupa, nas primeiras declarações sobre a polémica do seu vencimento.

Segundo ele, o cálculo foi produzida pelo Estado e já está em vigor legal, uma vez que foi publicado em Diário da República. Gonçalo Reis sublinhou ainda o “compromisso e responsabilidade de gestão” que está ciente de ter.

Poiares Maduro veio confirmar os parâmetros sobre os quais o salário do presidente do Conselho de Administração foi deduzido: o salário só é replicável se o Conselho apresentar resultados positivos quando for avaliado.

Na sequência destas declarações, o Presidente da Comissão de Trabalhadores da RTP veio dizer, os dois pressupostos em causa (bons resultados operacionais e avaliação positiva do serviço público) devem também ser aplicados aos trabalhadores. E que, assim, devem “ser repostas a todos os trabalhadores as condições que tinham antes” dos cortes orçamentais que a empresa sofreu e que afetaram os salários dos funcionários. De acordo com Camilo Azevedo, a hipótese está a ser estudada.

A explicação de Gonçalo Reis e a reação da Comissão de Trabalhadores da RTP surgem depois de António Feijó, presidente do Conselho Geral Independente, ter afirmado que o salário de 10 mil euros de Gonçalo Reis foi autorizado por Maria Luís Albuquerque e por Miguel Poiares Maduro.