Duli Hembrom vive na Índia e tem 13 anos. Os pais querem que ela case. Ela não. Depois de os tentar convencer repetidamente a não casar, sem sucesso, Duli escreveu uma carta ao seu professor a pedir que a “salvem” do momento que está marcado para esta quarta-feira. “Os meus pais marcaram a data do meu casamento para 22 de abril. Eu não me quero casar. Jurei no momento em que fui admitida nesta escola (Milan Mithi Uchha Vidyalaya) que não me ia casar antes dos 18 anos”, escreveu na carta citada pelo India Times.
Duli quer terminar primeiro a escola antes de se casar, mas o pai tem outra visão sobre as coisas. Ao Hindustan Times, Lachhu Hembrom diz que o casamento na infância é algo comum naquele país porque é “difícil encontrar um par adequado para uma menina já crescida”.
Nos países em desenvolvimento, uma em cada três meninas casa-se antes dos 18 anos e uma em cada antes dos 15 anos. O alerta é do UNFPA (Fundo para a População das Nações Unidas) que salienta que “apesar de haver leis que o proíbem”, a prática do casamento na infância continua a ser comum, “em parte por causa da pobreza persistente e da desigualdade de género”.
Segundo estatísticas da ONU, o estado de Jharkhand, este da Índia, onde Duli vive, é o pior no que diz respeito aos casamentos precoces — mais de 40 por cento das mulheres casadas têm até 18 anos, destaca o Independent. Em 2014, a Índia era o segundo país do mundo com mais casamentos na infância. O Bangladesh estava no topo da tabela.