Milhares de manifestantes concentraram-se esta segunda-feira no centro de Nova Deli, sob forte vigilância policial, para exigir a demissão do presidente da comissão eleitoral da Índia, que acreditam estar a beneficiar o primeiro-ministro, Narendra Modi.

Há várias semanas que a oposição e o movimento “Baratas”, criado online para unir a indignação da Geração Z, estão mobilizados contra uma revisão das listas eleitorais por a acharem pouco transparente e nada imparcial.

A revisão foi iniciada em 2025 pela comissão e resultou na exclusão de cerca de 130 milhões de eleitores registados, segundo relatos dos meios de comunicação social.

Lançado para remover duplicados, pessoas falecidas e aqueles que cometem fraudes das listas eleitorais, o procedimento é suspeito de visar principalmente minorias, particularmente muçulmanos, em grande benefício do Partido Bharatiya Janata (BJP) de Modi, o que lançou dúvidas sobre várias das suas recentes vitórias em eleições locais.

A comissão eleitoral e o seu presidente negaram qualquer irregularidade no procedimento. No sábado e no domingo, as forças de segurança realizaram milhares de detenções – mais de 20 mil, segundo a imprensa local – para impedir os manifestantes de protestar nas ruas da capital indiana.

Os protestos transformaram-se numa revolta generalizada contra o Governo ultranacionalista hindu de Modi, acusado de deriva autoritária desde que chegou ao poder, em 2014.

Na linha da frente da revolta, o líder da oposição, Rahul Gandhi, apelou esta segunda-feira aos seus apoiantes para marcharem até ao Supremo Tribunal.

“Queremos mostrar ao mundo que Modi está a proteger Gyanesh Kumar”, disse o membro do Partido do Congresso aos jornalistas, referindo-se ao presidente da comissão eleitoral. “Esta não é uma batalha de um dia, não vamos parar até que a Constituição seja respeitada”, garantiu.

Durante todo o fim de semana, as ruas do centro de Deli permaneceram bloqueadas, o trânsito foi proibido, os transportes públicos foram suspensos e a internet móvel foi bloqueada para impedir o protesto organizado pelas “Baratas”.

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Criado em maio, o Partido Popular das Baratas surgiu online como um movimento de indignação dos estudantes indianos contra o sistema educativo e em resposta a uma declaração do presidente do Supremo Tribunal que comparou os jovens desempregados a baratas.

Desde então, o movimento consolidou-se como uma voz de oposição contra Modi.

“O que torna Gyanesh Kumar tão indispensável para Modi ao ponto de ele estar disposto a declarar guerra a todos?”, questionou o fundador do movimento, Abhijeet Dipke.

Dipke e outros dois dirigentes do novo partido foram detidos no sábado, à chegada a Nova Deli, e mantidos sob custódia durante 24 horas.

“Modi é uma vergonha para a Índia”, escreveu o líder dos “Baratas” imediatamente após a sua libertação, adiantando que “o país nunca conheceu um cobarde pior”.

Tal como a oposição parlamentar, o partido da Geração Z prometeu continuar a mobilização até à saída do presidente da comissão eleitoral.

Uma anterior mobilização dos manifestantes, realizada em julho nas ruas de Nova Deli, obrigou à demissão do ministro da Educação, considerado responsável por fraudes recorrentes nos exames universitários.

Esta crise foi amplamente vista como uma derrota para Narendra Modi, forçado a ceder aos protestos de rua pela primeira vez desde 2014.