No jogo Football Manager existe uma opção interessante para as conferências de imprensa, que é “sair de rompante”. Isso está previsto porque o treinador virtual poderá ter menos paciência para questões sobre transferências depois de uma partida de Liga dos Campeões ou porque não está virado para dizer o que não gostou na equipa e até para comentar exibições individuais. Ou então porque quer dar um ar de mauzão.

Na realidade, essa prática não é assim tão comum ver-se, mas aconteceu em Almería, conta o ABC. O protagonista foi Gaizka Garitano, treinador do Éibar, a quem lhe foram dirigidas duas perguntas em basco. O antigo jogador até começou a falar da derrota da sua equipa (0-2), mas rapidamente viu alguns jornalistas torcerem o nariz à sua língua. O responsável de comunicação no local explicou que em nada era diferente de quando o Barcelona joga ali e o treinador responde em catalão. Como sempre, Garitano iria responder primeiro em basco e depois em castelhano.

Na primeira pergunta, embora houvesse uma ou outra queixa, Garitano concluiu a resposta. À segunda, o tom ou gesto de um qualquer jornalista incomodou o treinador. “Passa-se alguma coisa?”, perguntou Garitano. “Sim, claro que se passa, não percebemos [o que dizes]”, respondeu um jornalista. Depois, lá está, o basco saiu de rompante, com cara de poucos amigos.

Gaizka Garitano Aguirre tem 39 anos, nasceu em Bilbau e já afirmou publicamente ser a favor da independência do País Basco. Ou seja, uma causa que tem em comum com tantos outros espanhóis. Mas há um deles, um senhor e campeão no futebol espanhol, que tem assumido uma posição mais vincada nesta questão: Pep Guardiola. O catalão, que já disse muitas vezes que a Catalunha é o seu país, saiu em defesa de Garitano. Em catalão.

“Tarde ou cedo conseguiremos que todos entendam que no mundo se podem falar as mil línguas que existem, e o catalão é mais uma. E se não se entende, faz-se a tradução, não há problema nenhum”, disse o treinador do Bayern Munique quando confrontado com o episódio de Garitano, citado pelo ABC.

Também Luis Enrique, natural das Astúrias mas com mulher e filhos naturais da Catalunha, defendeu Garitano. “Era o que faltava não poder responder na sua língua”, disse o atual treinador do Barcelona.