O comissário europeu da Ciência tranquilizou, em Lisboa, os investigadores quanto ao financiamento do setor, voltando a lembrar que os fundos transferidos do orçamento da ciência para o “Plano Juncker” serão também usados na inovação e ciência.

“Não estamos a retirar [fundos à ciência], estamos a colocar no novo fundo de investimento [Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos ou Plano Juncker] uma parte [do orçamento da ciência], para termos mais um instrumento para a inovação e a ciência”, disse Carlos Moedas aos jornalistas, no final de uma reunião com cientistas com bolsas do Conselho Europeu de Investigação, na sede da representação portuguesa da Comissão Europeia.

O “Plano Juncker”, proposto pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, prevê um fundo que permita relançar a economia europeia.

O Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos pretende mobilizar 315 mil milhões de euros, entre verbas públicas e privadas, até 2018.

A proposta estipula para este fundo a transferência de 2,7 mil milhões de euros do Horizonte 2020, programa comunitário de apoio à inovação e ciência para 2014-2020 e do qual saem verbas para as bolsas do Conselho Europeu de Investigação.

Há duas semanas, eurodeputados das comissões parlamentares de Orçamento e de Assuntos Económicos e Monetários aprovaram uma resolução em que defendem alternativas de financiamento do Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos, que não impliquem cortes no orçamento destinado à ciência.

Confrontado com esta posição, Carlos Moedas sustentou hoje, em Lisboa, que a proposta da Comissão Europeia “é equilibrada”.

Mas “estamos a ouvir todas as partes e, no fim, chegaremos a um acordo que seja importante para a Europa e que aumente o investimento” na ciência, ressalvou o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação.

O neurocientista Rui Costa, da Fundação Champalimaud, e bolseiro do Conselho Europeu de Investigação, alertou os jornalistas para “a necessidade de se reforçar os mecanismos transparentes de financiamento na Europa”, assinalando que “há um risco de algum dinheiro dos fundos” que suportam as bolsas “ir para outro tipo de financiamento”.

Há dois meses, 13 centros de investigação europeus na área das ciências da vida, incluindo o Instituto Gulbenkian de Ciência, manifestaram preocupação pelos “cortes no orçamento” para a ciência, que, em seu entender, “podem comprometer a competitividade europeia”.

O programa Horizonte 2020 tem inscritos 80 mil milhões de euros, incluindo 13,1 mil milhões de euros para o Conselho Europeu de Investigação.

Do corte de verbas previsto no Horizonte 2020, para reforçar o “Plano Juncker”, 221 milhões de euros referem-se a financiamento do Conselho Europeu de Investigação, que apoia projetos científicos considerados de excelência.